sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

O território do atual município de Fartura, localizado entre os rios Paranapanema e Itararé, tem uma ocupação de origem remota. A região, até o início do século XIX, foi ocupada pelos povos indígenas kaingang, ocupação esta que foi desestruturada pela perseguição realizada pelos colonizadores, como indicam os relatos do naturalista Auguste de Saint Hilaire, entre 1819 e 1820. A partir de 1845, a localidade foi alvo da instalação de um aldeamento, que reuniu indígenas do grupo guarani e que se perpetuou até o início do século XX. Em 1870, entre a Serra da Fartura e o ribeirão de mesmo nome, foi iniciada a formação de um povoado, inaugurado pela construção da capela de Nossa Senhora das Dores de Fartura, em território do então município de São Sebastião do Tijuco Preto, atual Piraju. A nomenclatura do povoado se deu em vista da abundância dos recursos naturais da região, principalmente ao potencial da pesca realizada no ribeirão da Fartura. A região do povoado recebeu, a partir da década de 1880, grande afluxo da imigração italiana. O adensamento populacional foi a causa principal para que, em 7 de fevereiro de 1884, através da lei nº 5, fosse criada a freguesia de Fartura, sendo incorporada à vila de São João Batista do Rio Verde, atual município de Itaporanga. Por meio do decreto nº 145, de 31 de março de 1891, a freguesia de Fartura foi elevada à categoria de município. Junto a essa publicação é possível ver um mapa da área das divisas entre os municípios de Fartura e Itaporanga, de 1908, elaborado pelo engenheiro Arthur O’Leary, da Comissão Geográfica e Geológica. O mapa indica a proposta de novas divisas para o município de Fartura, em oposição à antiga linha divisória que corria pela serra da Fartura e seguia pelo córrego da Barra Seca até sua foz no rio Itararé. Além disto, o mapa indica a localização do antigo aldeamento de São João Batista do Rio Verde. A proposta da nova linha divisória foi aceita e corroborada pela publicação da lei nº 1488, de 19 de dezembro de 1915, na qual consta a seguinte descrição: “Ficam sendo as seguintes as divisas entre os municipios de Fartura e Itaporanga: “principiando no Morro Azul, seguem pela serra da Fartura até ao ponto em que se encontra o marco de Araribá. Começo das divisas entre o quinhão do dr. Arthur N. de Vergueiro ou seus successores, e o de d. Manoela Vergueiro e filhos ou seus succesores; seguem pela linha divisoria dos referidos quinhões até encontrar o ribeirão de Ariranha, descem por este até sua confluencia no rio Aldeia, descem por este até sua confluencia no rio Verde, e por este abaixo até a sua fóz no rio Itararé”. BIBLIOGRAFIA ALESP. Lei nº 1488, de 19 de dezembro de 1915, que estabelece as divisas entre os municípios de Fartura e Itaporanga. Disponível em: CORRÊA, Dora Shellard. O Estado e as paisagens criadas a partir do século XIX por índios, posseiros, colonos e pequenos proprietários na Área de Proteção Ambiental de Tejupá. Revista Histórica, Arquivo do Estado de São Paulo, nº 47, abril de 2011. Disponível em: . IBGE. Histórico - Fartura Disponível em: . INSTITUTO Geográfico e Cartográfico. Municípios e distritos do Estado de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2011. ______. Municípios do Estado de São Paulo: criação e divisas. Disponível em: . PINHEIRO, Niminon Suzel; RODRIGUES, Sonia da Silva. Terras indígenas guarani - Barão de Antonina e Itaporanga. ANPUH - XXV Simpósio Nacional de História, Fortaleza, 2009. Disponível em:

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