BILICA
Mulher Arrojada
Brasilizia Rodrigues de Castro,
filha de Manoel Bento de Castro e Anna Gertrudes Maria de Jesus nasceu em
20/10/1912 foi casada com Oliveiros Ribeiro Palma filho de Pedro Ribeiro Palma e
de Maria Ribeiro Garcia. Mãe de 4 filhos Manoel, Maria, Floriana, Sebastião.
Moradores do bairro Barra Seca
Era nossa vizinha de sítio. Seu
marido era primo do meu pai. Um primo bem mais velho, sobrinho da vó Luíza
Ribeiro Palma. Eles eram um casal uns trinta anos mais velhos que meus pais).
Ela era de uma família pioneira que chegou a Fartura junto com os Ribeiro Palma
e Ribeiro Garcia, no final do século XIX, vindos de Santa Rita do Passa Quatro
e compraram terras aqui.
Na verdade, somos descendentes de
portugueses que vieram para o Brasil e foram morar em Minas Gerais e depois uma
parte das famílias vieram para São Paulo (São Simão, Santa Rita do Passa-Quatro
e alguns para desbravar as terras de Fartura).
Era nossa vizinha de sítio. Seu
marido Oliveiro Ribeiro Palma comprou o sítio que era da tia Nica (Maria
Honória) e do tio João Gualberto.
Seu nome era Brasilina Bento de
Castro e era irmã da tia Sebastiana, casada com tio Vicente Ribeiro Palma; da
Izaura casada com Pedro Bicudo; do José Manuel, pai do Zezinho Manuel; do Pedro
Bento, casado com a Lurdes Ribeiro Palma (sogros da Elza); da Maria Ursulina,
casada com o Francisco de Goes; do Manuel Simão, casado com Brasilina Alves; e
do João Bento de Castro (farmacêutico), casado com a Brígida Andrade . Dizem
que a família Bento de Castro chegou a Fartura junto com os Ribeiro Palma e
Ribeiro Garcia, vindos de Santa Rita do Passa Quatro e compraram terras aqui.
O marido da Dona Bilica vivia
brigando com meu pai porque queria comprar o sítio, isso quando a gente era
criança. Mas quando viu que meu pai não ia vender de jeito nenhum, sossegou.
Dona Bilica era amiga de todos do
bairro e tia de muitos. Gostava de cuidar dos doentes e das mulheres grávidas.
Gostava de ajudar nos partos e quando não tinha parteira na hora, ela mesma
fazia o parto. Mas nunca foi parteira da minha mãe, só auxiliava no pré-natal.
Sempre ia passear em casa e um dia eu
ouvi ela falar: Lurdes dá a Cidinha para mim?
Nossa, fiquei com um medo enorme!
Quando minha mãe estava para dar a luz ao João Antônio, ela veio a noite ver
minha mãe, para ver se estava na hora de chamar a parteira. Já era umas dez
horas e ela quis ir embora. Então pediu para meu pai um tição que estava aceso
no fogão e pediu também para deixar eu ir junto com ela, de companhia.
Não queria ir, tiveram que me
agradar muito. Até hoje lembro do quanto demorei para dormir!
Também teve o dia que ela foi lá em
casa fazer remédio para o braço quebrado do Gerson. Ela pegou ovos e socou no
pilão. Disse para minha mãe que o bom mesmo era acrescentar um ovo choco. Mas
minha mãe não deixou. Então ela socou três ovos com casca, acrescentou leite de
cabra, coou, adoçou e deram para o Gerson beber....
Outra coisa que era usado no bairro
como remédio para acne eram caracóis (lesmas de caramujo). Tinha muitos nas
roças de milho, se pareciam com escargots , e eram grandes. Eu costumava
brincar com os caramujos depois que a lesma ia embora ou morria, não sei. Eram
muito bonitos. Então, quando eles estavam vivos, a pessoa que tivesse acne era
para pegar um, passar aquela baba no rosto e depois soltar. Achavam que era
simpatia, mas pelo jeito era remédio. Meu pai disse que usou pois tinha muita
acne. Deve ter sido bom porque não ficou cicatriz! Recentemente uma pessoa da
família foi passear na Itália e já conhecia essa estória. Não é que achou na
loja de cosméticos um feito à base de baba de lesma? O nome era “ crema viso
ala lumaca” que significa: creme para rosto feito de caracol.
Hoje, lembrando de nossa querida
vizinha que viveu muitos anos, penso que ela foi muito corajosa. Naquela época
as mulheres tinham que ficar restritas ao lar, ou tinham que sair sempre
acompanhadas pelo marido ou filhos. E ela foi arrojada. Saia, ajudava, ensinava
a quem quisesse aprender. Como dizem: não veio ao mundo a passeio. Fez diferença.
E mesmo na velhice, vinha nos
visitar, sempre com um porretinho, caso tivesse que se defender de algum
cachorro.
História contada por Maria
Aparecida, filha de Mario Vieira
Lembro de uma vez que minha irmã
Margarida caiu de uma mangueira no sitio e machucou as costas e minha mãe
chamou a minha tia Bilica para cuidar dela, lembra que ela socou no pilão um
pintinho novo junto com ovo e outras coisas que não lembro quais eram, peneirou
e misturou com leite e açúcar e fez
minha irmã beber.
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