Relatos de quem viu assombração
Hoje o relato de quem realmente viu algo e o seu
comportamento.
Quando isto ocorre os animais equinos, caprinos, bubalinos,
ovinos, mudam o comportamento. Equinos relincham, ficam correndo de um lado
para outro, bubalinos, ficam mugindo, animais mudam seu comportamento,
inclusive os cães, isto contado e confirmado por moradores do bairro, nossos
tios avós e, primos.
Na antiga estrada, Fartura Carlópolis, tinha uma reta, um
lado ficava o Matão do Chico Fernandes e outro lado a fazenda do Chiquinho
Garcia (Francisco Rodrigues de Oliveira), genro de Coronel Marcos Ribeiro.
Já quase no final desta reta, bem próximo onde ficava a casa
da Fazenda do Chiquinho, tinha o sinal de uma estrada que adentrava a mata.
Aquele local, tinham relatos de alguns casos de assombração.
Um dia lá pelas 8,30 horas da noite, meu pai Alicio voltava
da cidade, com sua charrete e sua égua muito mansa. Estava com uma capa de
chuva, conhecido por capa Gaúcha, era uma lã batida e de cor marrom.
Quando meu pai Alicio chegou nesta entrada, apareceu da mata,
algo puxando pela capa e chamando: vem, vem, vem, vamos. A égua na Charrete
mudou o comportamento, ficou arredia e assustada, entrou em disparada para a
casa que ficava uns 50 metros da estrada.
Chegando em casa, ao ver a claridade da luz, deu um grito e
desmaiou, demorou um pouco para voltar a normalidade, foi aí que ele relatou o
ocorrido, quando vinha ao defrontar aquela entrada do mato, algo o puxou pela
capa chamando para dentro e que a égua na charrete ficou arredia, correndo em
disparada, entrando na casa da fazenda, passando pelo terreiro.
Confesso que meu Pai nunca teve medo de nada, nunca assustou
com nada, andava qualquer hora da noite, indo em qualquer lugar.
Outro fato ocorrido, este animal nunca mais podia passar por
aquele local sem mudar seu comportamento, se na charrete, disparava, se montada
também disparava para dentro da fazenda.
Fumo
No século passado existia na Barra Seca ou nos seus
arredores, famílias que se dedicavam ao plantio do fumo.
Uma família que sempre trabalhou com isto foi a família do senhor
Júlio Coldibelli, que chegou em Fartura nos anos vinte, vindo de Ouro Fino,
Minas Gerais, com dois filhos o Arquimedes e o Lino, e a esposa dona Maria,
lembro do sofrimento dela com reumatismo nas mãos, com uma dor intolerável,
aquela voz típica de Italiana.
Senhor Júlio, trouxe consigo o conhecimento do plantio do
fumo, toda a técnica, da semeadura da semente a cura do fumo, coisa que um dia
descreverei.
Meu avô também cultivava fumo, com isso seus filhos, Tio
Zeca, Tio João, tio Mario aprenderam a lidar com esta agricultura.
Os filhos de Júlio Coldibelli, todos foram agricultores de
fumo, trabalhavam no zelo do cafezal, mas entre estes cultivavam o fumo, que
ajudava em muito na economia doméstica, nunca vi está família passar
dificuldade, pois a venda do fumo ajudava a suprir as necessidades da casa, e
falar em fumo Coldibelli em Fartura, era falar em sinônimo de qualidade. Os
filhos do senhor Júlio, todos eles, inclusive o genro José Moraes, foram
agricultores de fumo, os filhos Arquimedes, Lino, genro José Moraes, Sebastião,
Tonico, Miguel, Carlito, José, todos especialistas em fabricar a corda melada.
Mas meus tios, também trabalharam com o plantio do fumo, hoje
os filhos do Tio Zeca, Ditão, Tião, Luís, trabalham com esta agricultura, que
já não exerce fascínio, pois os velhos consumidores do fumo de corda estão se
esvaindo, havendo pouco consumo.
Mas meu pai Alicio também plantava fumo.
Umas das plantações foi lá no Chiquinho Garcia, dava um belo
trabalho, da semeadura da semente, (canteiro), mudar para a terra, o zelo com
os pulgões e o bicho do fumo, a colheita no ponto certo, folhas maduras,
colocar no estaleiro, a retirada dos talos, fazer a corda, enrolar, o zelo
depois, todos os dias tinha que virar o fumo e enrolar, isto demora em torno de
45 a 60 dias para o fumo chegar no ponto.
Tínhamos fumo curado, era bom, sempre garantia uns trocados
para casa e para nós. Tendo fumo em casa aguçou a curiosidade do irmão Luiz,
pois o fumo servia para cigarro de corda, Cachimbo, para Mascar (mastigar),
coisas que pessoas mais idosas faziam.
Não é que o irmão resolveu experimentar, (mascar fumo).
Neste dia eu e o Zezo estávamos no eito, desde manhã, lá
pelas 10,00 horas esperávamos o almoço, deu 11,00 horas, deu meio dia e nada do
Luís, vir com o almoço.
Quando o sol já tinha virado, lá aparece o Luís bem abatido,
eu e o Zézo desesperado de fome, pois na roça come cedo, no máximo 10,00horas.
Qual foi a confissão do irmão Luís: há eu vi tanta gente
mascar o fumo, fui experimentar, só que engoli o caldo, passei mal, não tinha
coragem de levantar.
Hoje presto minha homenagem a estas pessoas que aqui citei,
não estão entre nós, senhor Júlio e seus filhos com dona Maria, Arquimedes,
Lino, Madrinha Carmem que nos deixou a pouco tempo, com seu marido, José
Moraes, sabes quem é? Meu padrinho Guga, parceiro de truque do meu tio Zeca,
Sebastião, Tonico, Miguel, Carlito, o Zé creio que é vivo, tem outras filhas
creio que vivas, o meu avô, com minha vó Benedita, Meu pai Alicio, minha mãe
Maria, tio Zeca, tio João, tia Ana com tio João Otaviano, e o tio Mario que
pouco nos deixou e ao meu irmão Luís que me trás a memória esta recordação,
todos estes aqui já estiveram entre nós, hoje me aperta o coração em
relembra-los como vivemos um dia, que hoje é so Saudade destas pessoas que
construíram a minha existência e me ajudaram a caminhar até hoje, que posso
dizer que sou premiado por esta longa estrada caminhada, tropeçando e
levantando, pois sempre tenho uma mão amiga para me ajudar. Hoje é saudade
recordação, pois hoje é dia de Finados.
Encruzilhada
Os antigos moradores da Barra Seca podem lembrar dos idos de
1954, sei que são poucos, mas vou contar a história deste pedaço de chão, desta
encruzilhada que era ponto de entrega de leite, para quem desce, do lado direito
vinha o leite do Juvenal Garcia, do lado esquerdo vinha o leite do Pedro
Ribeiro Palma, do Benedito Ribeiro Palma e do Roberto Garcia Ribeiro (filho do Zé
Mingo).
Neste ponto que o caminhão contratado pelo laticínio, não me
recordo o nome do motorista, que vinha lá do Paiolão, onde me recordo pegava o
leite do retiro do Melquisedek da Encarnação, tio do Bispo Gorgônio Alves da Encarnação, tem o mesmo nome de seu
avô, que era natural do Estado do Rio de Janeiro e sua avó era de Piracicaba,
continuando com os retiros, tinha os retiros do Merkis, tinha dos Prioli, (José
e Hugo), (Hugo tinha uma receita infalível para descobrir ninho de galinha que
botava no mato), o retiro do Benedito Inácio, (que o Olavo comprou), produziam,
muito leite, lembro que lotavam o caminhão.
Esta encruzilhada dava acesso a vários locais, do lado esquerdo
ia para o Pedro Ribeiro Palma, Benedito Ribeiro Palma, Roberto Garcia, Zé
Mingo, sitio do Zé João, sitio de José Manuel, sitio do Pedro Bento e ao fundo
a casa grande dos Bentos, local das festas de São João.
Lado direito, ficava o sitio da Nica, sitio de João Vieira
Palma, mais a frente o sitio de Vicente Ribeiro Palma, e também o sitio do Antônio
Candido de Araújo (Otaviano), onde ficava a escola mista municipal da Barra
Seca, e também dava acesso a fazenda de Juvenal Garcia Ribeiro, voltando a
encruzilhada, lá seguindo esta estrada dava acesso ao sitio de José Manuel,
Pedro Bicudo e Joaquim Manuel, do outro lado ficava a fazenda do Conrado
Blanco, descendo, passando o ribeirão Barra Seca, tinha a fazenda de leite de
Dito Inácio, José e Hugo Prioli, passando pela fazenda dos Prioli, lá na barra
da Barra Seca, onde desaguava no Rio Itararé, ficava o sitio dos Barbosas,
lembro da dona Barbara, avó do José Barbosa, Américo Barbosa, Tonico, João, seu
pai Chico Barbosa e do Néco Barbosa, seus filhos Nico e Nélson, depois vinha os
sítios, dos Vaz, do José Belizário, esta
estrada dava acesso ao Rio Verde, Serra dos Matos e serra dos Índios, antigo
Núcleo, passava pelos 60 alqueires do Pio Blanco, tem uma história, se Deus não
mandar chuva eu mando.
Portanto esta estrada dava acesso a muitos lugares, até a
cidade do Salto do Itararé, palco das discussões da imagem de São Bom Jesus da
Cana Verde.
Nesta encruzilhada no ano de 1954 eu via as propagandas
políticas dos candidatos, Jânio da Silva Quadros e Ademar Pereira de Barros.
Um candidato era Jânio Quadros, foi um fenômeno político,
professor na Universidade Mackenzie e formado em Direito pela USP, foi vereador,
prefeito e governador em São Paulo e Presidente da República.
Outro candidato era Ademar Pereira de Barros, governador
interventor na ditadura de Getúlio Vargas, era um político calejado, foi
interventor, depois foi prefeito e governador.
O que acontecia nesta encruzilhada era um mural de
propaganda, de um lado estava as propagandas de Jânio Quadros com seu vice e
candidatos ao senado e a deputados, de outro lado a propaganda do Ademar de
Barros, com seu vice e candidatos ao senado e deputados, ali naquela
encruzilhada era efervescente as campanhas dos candidatos e os seus defensores
eram parentes, eram os Palmas, os Garcia, os Ribeiros, vê-se que era respeitado
a propaganda do outro, respeitavam a divisão de espaço. Era Jânio quadros de um
lado e Ademar do outro e o candidato a senador Lino de Mattos e o candidato a deputado
Ribeiro Salgado, família de Fartura. Lembro das celebres frases que servia e
era usado dos dois lados: Marmelo é fruta boa que dá na ponta da vara, quem
vota no Ademar não tem vergonha na cara, ou Marmelo é fruta boa que dá na ponta
da vara, quem vota no Jânio não tem vergonha na cara.
Foi nesta encruzilhada que passava todo os dias para ter aula
com dona Zélia Rocha, que vi os confrontos mesmo entre parentes, para defender
seu candidato, tinha Outdoor para todos os candidatos e os Garcia, Ribeiro, Palma
se confrontando pelos seus candidatos.
Festas
Festa nos anos cinquenta quando vivia em Fartura, as
autentica festas Juninas no Bairro Barra Seca, lá na casa dos Bentos, na casa grande,
onde o tio Joaquim Bento, tia Maria Benta com o tio Gabriel Brás, lá algumas
vezes tinham como moradores alguns dos sobrinhos de irmãos eram falecidos ou de
irmãs casadas.
Dentro destas irmãs de tia Maria Benta, tinha a tia Luíza,
casada com o Tio Zé Furquim, a tia Inácia Benta já viúva, mãe dos Góezinhos, e
a tia Sebastiana Benta, também viúva, que lá comparecia na festa além de todos
os sobrinhos com seus familiares.
Para a festa de São João, havia uma preparação de pelo menos
três dias antes, para montar a fogueira, a preparação dos biscoitos de
Polvilho, a broa de fubá envolta em folhas de bananeiras e a delícia do pão
caseiro, que eram assados na fornalha de lenha. Para o preparo dos assados vinha
o tio José Panema, marido da tia Luiza Benta, irmã do meu avô, que era uma de
espécie de faz tudo para a família, pedreiro, marceneiro, padeiro, não esqueço
também do Mario Martins, que era pau para toda obra, este genro da tia Virgilia
Benta, viúva do tio Zeca Bento, outro irmão da tia Maria.
Na noite de São João, tinha a fogueira e uma dança caipira
onde era tocado por uma viola e pandeiro e só participava os homens, era um autêntico
Catira, sapateado. O jogo de truco, onde tinham as duplas já definidas e um
outro jogo onde participava mais gente o Carimbó, parecido com o pife. Algumas
vezes acontecia a travessia da fogueira quando esta formava um bom braseiro. No
dia 24, havia a reza do terço, por um rezador experiente que era convidado, ao
termino do terço, levantava o mastro, que era triangular com as figuras de São
João, São Pedro e São Paulo e a queima de fogos e após isto para nós criança o
mais gostoso de tudo, comer biscoito, broa e o gostoso pão doce caseiro. Lembro
que lá ia meu pai, meu avô, meus tios para ajudar nesta grandiosa festa de São
João, lembro de todos os tios primos e parentes que lá compareciam. Esta era a
autentica festa de São João. Viva São João. Sei que onde estiver todos meus
parentes responderão. Viva.
Pescaria dos primos
Os primos e os irmãos e alguns amigos resolvemos fazer uma
pescaria no Rio Itararé, levamos tarrafa para pegar os peixes e depois fazer um
braseiro e assar, para comer peixe assado no limão.
Na pescaria estava eu, Elias, João Bicudo, Sebastião Bento,
Zezo Palma, Gabriel Fogaça, que era um destes peões que trabalhava com as famílias,
o Aparecidinho que trabalhava com o Zezo Palma, a vítima das nossas armações, e
o tio Mario que faleceu este ano.
Tinha mais gente que não me recordo no momento.
Nos encontramos na beira do rio depois do Garimpeiro na
fazenda do Isaac Garcia. Já estava meio escuro fomos jogar tarrafas para pegar
peixe para comer com comida que levamos. Não pegamos nada, a água estava muito
fria. Era mais ou menos 9,30 horas, aparece o Aparecidinho cercando frango,
bastante bêbado, entregou para o Zezo, um pão e uma garrafa de pinga Caninha Chic,
eu fiquei de olho, junto com Gabriel. A pescaria não estava boa, resolvemos
subir nas arvores. O Gabriel Fogaça era exímio nisto parecia um macaco, era bom
em tudo propunha a fazer. Tanto é que, os Garcias não o deixavam ir embora. (estas
pessoas como o Gabriel Fogaça, seu irmão Antônio, Aparecidinho, João Bráulio, eram
órfão, iam trabalhar como peões nas fazendas, e eram tratados como próximos a
família, portanto o Aparecidinho era muito ligado a família do Zezo.
Depois desta zueira, fomos jogar truco, tinha várias duplas.
Por fim já era meia noite por ai, o Aparecidinho colocou o
pão e a garrafa debaixo do travesseiro improvisado, logo dormiu, fui lá tirei o
pão e a pinga e coloquei no travesseiro do meu tio Mario.
O Zézo resolveu comer o pão, foi procurar com o Aparecidinho
e não encontrou. Ficou bravo, foram procurar e encontraram no travesseiro do
tio Mario que não sabia de nada, pois ele não tinha pego, eu que havia
colocado.
Quando o Zezo viu que o pão estava com o tio Mario, foi para
cima do tio, depois descobriram que eu e o Gabriel que havia aprontado,
colocado o pão nas coisas do tio Mario.
Passamos uma noite divertindo muito, mas criando atritos
entre os parentes, pois aprontamos porque o Zezo tinha a pinga, mas não deu
para ninguém, tiramos dele e arranjamos uma bela confusão, eu e o Elias estávamos
saudosos destes encontros com a turma da Barra Seca, pois não moramos mais lá.
Cobras
Cobra Surucucu, cobra venenosa que era encontrada na zona
rural de Fartura .
O bairro Barra Seca
tinha seus moradores que viviam em uma rotina constante.
Na família dos Bentos de Castro nada de novo acontecia, famílias
lutando pelo seu ganha pão, plantando arroz, feijão, milho, alguns tinha outras
plantas como o amendoim, feijão fava, colheitas do café, ultima geada grande
foi no ano de 1950, sempre havia as pequenas, que não destruía o plantio.
O falecimento que
houve foi a morte de minha bisavó em 1953, Vó Rita como nós a chamava, era mãe
de minha avó Benedita e tia do meu avô, pois eles eram primos. Em 1960 houve um
abalo grande para minha avó, foi a morte de repente do meu tio João Batista de
Castro no dia 01 de Abril de 1960. Foi dramático ver o desespero de minha avó
quando foram para o roçado onde meu tio foi trabalhar e lá o encontraram caído sem
vida, chamaram o médico deu como causa da morte doença de Chagas, pois Fartura
tinha muitos casos de morte por chupança, o Barbeiro.
Minha avó perdeu mais um filho, o penúltimo deles o filho
caçula, vivia ameaçando sair de casa. Minha avó ficou desesperada com a perda
do filho e o outro ameaçando sair de casa.
Para isto não ocorrer, meu avô José Mané, pediu para o senhor
Júlio Espanhol ficar de companhia com o tio Mario para ele não
fugir de casa. Meus
tios admiravam de mais o senhor Júlio.
Passou anos ali trabalhando como pajem e como meeiro do meu
tio.
Não tinham hora para ir para a roça, como não tinha hora para
sair.
Principalmente se marcassem uma pescaria para o Rio Itararé, tinha
uma armação chamada (cóvo), que era um jacá fechado de um lado e de outro lado
uma armação como um funil, colocavam comida para os peixes, que entravam e como
eram um funil o peixe não percebia a saída. Sempre iam uma vez por semana abrir
o cóvo e retirar os peixes. Toda semana tinha em média de 10 quilos dentro do cóvo,
peixes como Campineiro, Traíra, Mandichuva, curimba, cascudos, iam lá retirava
os peixes e voltavam para casa. Minha avó limpava e fritava os peixes para o
senhor Júlio levar para casa, morava na cidade lá chegava com os peixes já
frito.
Dona Josefa contava para as vizinhas que o Júlio ia pescar,
mas chegava em casa com o peixe frito. Isto caiu nos ouvidos de seus vizinhos
que encontravam com seu Júlio e o chamavam de pescador de peixe frito, todos
sabem como são as histórias de pescador, tornou-se uma galhofa, o pescador de
peixe frito.
Mas isto não era galhofa, mas sim o cuidado que minha avó
tinha, com aquela pessoa que tanto a servia, tornando-se um pajeador de adulto,
deixando sua vida de lado em prol de servir uma família. Isto foi Júlio Gonzalo
Martins, um homem que serviu e pajeou meus tios a pedido de meu avô, para
servir minha avó, pessoa que o admiravam e tinham uma grande estima, este
pequeno grande homem, que viveu para servir e não se servir, que foi para todos
nós um grande amigo e nos orientou nas nossas jornadas. Mais uma história
vivida no Bairro Barra Seca, na família Bento de Castro.
Fartura tinha muitas espécies de cobras e lagartos. O lagarto
de papo amarelo, Lagarto mirim e outros. Mas o temor maior eram as cobras
peçonhentas e venenosas, como a Cascavel, a Caninana, a cobra Coral preta
avermelhada, a Urutu Cruzeiro tinha uma cruz na testa o Urutu Dourado era curto
e pitoco, sua coloração era dourada por isto o nome, e a Cobra Surucucu, cobra
destemida e violenta, ela quando provocada fica violenta e ataca, voando sobre
as vítimas, ou até subindo em ramos e tinha as cobras não venenosas como a cobra
verde e a cobra Muçurana que tinham dois
metros ou mais, e não era peçonhenta.
Por duas vezes vi esta
cobra atacar, uma vez, eu meu irmão Zezo e o Elias, íamos pegar o bote de meu
avô, que ficava na barra do ribeirão Barra Seca que desaguava no rio Itararé,
meu irmão foi pegar o varejão que ficava sobre a mata, com isto a cobra voou
sobre meu irmão enrolando e o atacando, mas graças a sua velocidade, com que
batia sobre a cobra, ela não conseguiu picar. Foi aterrador, ver a violência
que a cobra o atacou, voando sobre ele uns dois metros, tentando ferir, pensei
que ela tinha o atingido, mas não atingiu, pois ela caiu enrolado em sua perna,
dando botes sucessivos sobre ele. Depois do ocorrido contamos o que tinha
ocorrido ao nosso pai que não estava ali no local.
Outra vez, isto ocorreu, quando morávamos no Chiquinho
Rodrigues de Oliveira (Genro do Coronel Marcos Ribeiro), o Antônio Gazuza,
também conhecido como (Índio ), era goleiro dos times dos bairros de Fartura,
foi arar com trator terras para o plantio, isto ficava dando volta e passando
próximo onde a cobra estava, quando aproximou, ela voou sobre o pneu do trator
, e subiu sobre uma carvorana, ficando bem visível, pois ela subia em locais
inacreditáveis, o Antônio tomou todo o cuidado, pois ela podia voar sobre ele.
Por duas vezes, as experiências com esta cobra, Surucucu não
foi nada confortável, aumentando mais o meu temor sobre e como lidar com este
bicho peçonhento que tira a vida de muita gente na nossa região principalmente
Fartura, principalmente hoje que o habitat natural destas espécies estão todas
devastados, os aproximando muito com o ser humano ou o contrário, o ser humano
invadindo o habitat natural destas espécies.
Assombração
Na noite de Sexta Feira Santa, tinha a cerimônia das dores de
Cristo, pois não havia a missa, mas sim uma cerimônia. Terminando juntavam
todos para voltar para casa. No caminho, conversávamos sobre assombração Zelinho
afirmava não acreditar em assombração, mas os que estavam com ele afirmavam que
assombração existia, e nós falávamos, toma cuidado, mas Zelinho continuava
debochando. Estávamos em 7 ou 8 pessoas, descíamos pela estrada da Serrinha,
que passava por onde era a trincheira dos Paulista. Conversando e o Zelinho
debochando. Chegaram na Serrinha, mata de um lado, uma escuridão, de repente um
Urutau soltou aquele canto aterrorizador uuuuuuooooooooooooaaaaaau, mais ou
menos assim.
No primeiro canto, o cabelo do Zelinho se arrepiou todo. Mais
uns 100 metros de novo, uuuuuuuuooooooooooaaaaauu, Zélinho já estava todo
arrepiado. Descendo mais, quase na entrada da trincheira, Zélinho deu um grito
aterrorizador, perguntaram que foi Zelinho? Alguém tomou meu chapéu. Estava escuro,
por ser uma noite sem lua cheia e ter a mata para escurecer. Voltamos e fomos procurar
o chapéu do Zélinho que estava balançando enroscado em um ramo de nhapinda, que
é um ramo parecido com cipó ou rama que cresce apoiando em outra arvore, também
parecido com unha de gato.
Ali estava o Zelinho que se julgava corajoso, se entregando,
mostrando o quanto era medroso. Para quem não conhece, a trincheira dos
Paulista, ficava na estrada que ia pelo Pinheirinho, de um lado era sitio do Zé
Mingo do outro lado do Osmar, a uns 4 km de Fartura.
Em 1955, próximo a nossa casa morava o Zé Barbosa, filho de
Chico Barbosa e neto de Dona Barbara que era comadre de minha Avó.
Eles se relacionavam, pois meu avô tinha um sitio que ficava
na divisa com o Isaac Garcia Ribeiro e
com o Conrado Blanco e também com o sitio dos Barbosas , o Lico Barbosa, pai do
Nelson que serviu o exército do Paraná e
o Chico Barbosa, pai do Zé Barbosa, do Américo, do Tonico e do João Barbosa,
moravam neste sitio que ficava na desembocadura do Ribeirão Barra Seca.
Lembro que o Zé Barbosa com o Américo morou uns tempos neste
sitio. Pois tinham uma pendenga judicial com os filhos do Isaac, que seriam o
Benedito, o Pio e o Álvaro, tentaram ficar com o sitio da Barra Seca e o do
Paraná, meu avô apoiava a sua Comadre Barbara.
Meu avô vendeu seu sitio para o Conrado Blanco nos anos 40 e
comprou o sitio de sua tia Sebastiana Benta de Castro, que tinha herdado terras
de seu pai o Manuel Bento de Castro para onde se mudou, construiu sua casa com
o desmanche da casa que tinha naquele sitio vendido ao Conrado Blanco
Minha Mãe estava esperando o irmão Agostinho, seu parto foi
de risco, quem a acompanhava era a comadre Rosa Fiori. Resolveram que ela iria
para a casa de sua irmã, tia Ana, que morava na fazenda dos Vieiras, se fosse
preciso correr para o Hospital, ali era mais fácil e próximo a Vila.
Então meu pai foi para lá para ficar com minha mãe e nós
teríamos que ir dormir na casa dos nossos avós, mas naquela noite, era sábado,
teve um baile improvisado na casa do Zé Barbosa, lá estava meu avô tocando sua
viola, e o meu tio João tocando violão. La pelas 10,30 horas, meu avô falou
para ir embora com ele, mas não fui, depois, esperei clarear o dia para ir para
casa deles que ficava, mais ou menos 1500 metros da casa do Zé Barbosa.
Na entrada da cozinha da casa de minha avó tinha, uma bacia
pequena e uma toalha próxima que era onde lavava as mãos para o almoço, ou o
rosto quando de manhã.
Lembro que cheguei, minha avó estava brava porque passei a
noite lá sem dormir, meu avô que não me contrariava deixou ficar lá. Cheguei,
falei para minha avó, vou lavar o rosto para espantar o sono, assim o fiz, mas
peguei a bacia que estava com agua para lavar o rosto, joguei coloquei a bacia
debaixo do braço, estava voltando para casa, já tinha cruzado uma cerca, minha
avó gritando, tive este momento de sonambulismo por uns dois minutos. Vi quando
lavei o rosto, joguei a agua fora, depois que coloquei a bacia debaixo do braço
e atravessei a cerca de arame, percebi a anomalia, pois como minha avó gritou
várias vezes, vi que já tinha atravessado a cerca, do o outro lado e a bacia
estava debaixo do braço. Nunca tinha passado uma noite sem dormir, foi por
pouco tempo, mas percebi que era um Sonambulo.
Hipnotizando
cobra
Morávamos lá no Chiquinho Garcia e tínhamos que limpar uma
área, pois a Represa de Chavantes ia encher toda aquela região de água, onde
tinha mata meu pai derrubou, e fez plantio. Tirando a madeira que servia para cercas,
vendendo-as depois e outras madeiras, comuns, como lenha para as olarias,
inclusive quem muito comprou foi Agostinho Strazza, pai de meu amigo Adalto
Strazza, as madeiras de lei eram derrubadas e cortadas em toras, vendidas para
a serraria do Nego Stella e seu irmão Marinho. Eu e meu irmão Luíz derrubamos
uma Cana Fistula enorme, tinha mais de 1 metro de topo, dando três toras, sendo
duas de 5 metros e uma de 4 metros. Em casa tínhamos um Gorpeão pequeno, houve
a necessidade de comprar outro maior que desse para serrar aquela arvore
imensa.
Meu pai derrubou uma área grande, onde tinha ninhos de Urubu,
da janela de casa via o casal de urubu tratando seus filhotes, para quem não
sabe o urubu demora para sair do ninho, pois suas penas demoram a crescer até
ficar adulto para o voar. Aquela família de Urubu perdeu seu lugar de se
procriar, pois usavam sempre o mesmo local.
Derrubou aquela mata e foi ateado fogo para o plantio de
arroz, era a melhor agricultura para a região.
Depois de queimado, era comum ver cobras, principalmente as Jiboias,
naquele local. Irmão Zezo tinha o costume de mata-las e tirar seu couro, cobra Jiboia
não era venenosa, mas se encurralada, ataca o ser humano. Estava eu neste
terreno queimado, pronto para semeadura do arroz, quando vi uma cobra, grande,
creio que era uma jiboia, resolvi aplicar o método de hipnotizar serpentes, que
nós comentávamos entre os irmãos, Luís, Zezo, Elias e eu.
No que consistia, olhar firme para a cobra e não piscar,
dando um nó na ponta da camisa, esperar que a cobra fique imóvel.
Fiz como mandava o figurino, só que a danada não ficou imóvel
e veio para cima de mim, sai correndo do local, não esperei para ver o
resultado, sei que levei um susto tremendo, chegando em casa contei para todos
o ocorrido, tomei uma bronca de meu pai, sei que jamais voltei a encantar
serpentes, Matar uma cobra, jamais, pois sempre ficava a pelo menos 5 metros
longe destes bichos, alguns peçonhentos, outros não.
A Regulagem da Plantadeira.
Era costume na Barra Seca entre os Palmas, os Garcia, os
Ribeiros e os Bentos ter sempre uma família de meeiros ou ter alguém que
trabalhava e morava com a família, uma pessoa que tinha perdido o pai e a mãe,
trabalhando conforme contratavam verbalmente.
Dentre estas pessoas que era de casa lembro do Gabriel
Fogaça, seu irmão Antônio, o Luiz, não me recordo sobrenome, o Aparecidinho, o
João Bráulio, e em casa o Ditinho, o Lazinho, apareceu em casa o Jurandir,
dizia ser parente de meu pai, e que era da região de Ibiúna, provavelmente era,
pois, a família Rolim e a Rodrigues das Chagas eram desta região. Havia também
os que tinham famílias que eram acolhidos pelos moradores da Barra Seca, para
isso tinha que ter uma casa.
Meu avô (José Mané) sempre tinha alguém no sitio.
O trato com estes lavradores era a meia, chamados de meeiro
no cafezal, plantavam de tudo no meio do cafezal, mas meu avô não pagava pelo
zelo do cafezal que era a carpina, tinham o compromisso de fazer 3 ou 4
carpinas ao ano, no restante das terras era a meia, 50% para cada um, meu avô
entregava a terra preparada e fornecia a semente, o meeiro, plantava, tratava a
planta e colhia dividindo a metade.
No correr do ano o meeiro era mantido pelo dono da terra até
a colheita.
Muitas histórias se contam de fazendeiros que mantinha os
empregados como escravos, pois quando colhia, não cobria despesas cobradas pelo
fazendeiro ladrão e explorador, pois entrava e saia ano e o meeiro sempre
devendo. Meu avô sempre foi correto, todos ficavam tristes quando tinham que
deixar o sitio, minha avó Benedita era muito carinhosa com as famílias e os
tratava bem.
Os meeiros que meu avô teve foram, Pedro Miranda, Antônio Amantino
que era pai do Alcides Pereira Camargo, que um dia em São Paulo na Praça da Sé,
veio me cumprimentar com este nome pomposo, não o reconheci, falou, falou, mas
na hora que disse: sou irmão do Arcino, reconheci, irmão da Maria Rosa. Hoje
Alcides Pereira Camargo casado com a prima Lucia, neta do Zeca Bento.
Mas entre os meeiros teve outros que vieram de Minas Novas,
Minas Gerais, tinha o Joaquim, chamado de Joaquinzão, pois era alto tinha mais
ou menos 1,90 alt. era bravo o tal homem.
Meu avô emprestou sua plantadeira, ao meeiro do Zé João,
(Jonas) que plantou arroz com a maquina e devolveu ao Joaquim que ia plantar
feijão, deixando a máquina regulada para arroz, não regulada para feijão
Quando o feijão começou a nascer, era aquela touceira de
feijão, cinco seis pés por cova, e o tal de Joaquim ficou bravo, Jonas, disse:
cada um regule a máquina quando for usar, no primeiro carpina, teve que ir
arrancando os pés de feijão a mais. Era complicado, pois os dois eram mineiros
de Minas Novas e ambos gostavam da peixeira Cavalinho.
Joaquim continuou alguns anos com meu avô, um verdadeiro
touro no serviço. Mas por ser bravo, deixava muita gente com os pés atrás.
A Peroba Rosa
Hoje resolvi contar a história sobre esta arvore de muitos
anos do sitio dos Bentos.
Era uma Peroba Rosa, hoje rara, segundo me informaram só é
encontrada nos Chacos do Paraguai.
Esta arvore ficava na parte que ficou para os Goizinhos, bem
próximo ao sitio de Jose Rodrigues de Castro (Zé Mané), tinha uma estrada que
passava 15 metros desta arvore, dividia o sitio dos Goizinhos com o de Zé Mané,
sitio este que havia comprado da parte da Tia Sebastiana Benta de Castro.
Mario Stella queria tirar esta peroba, mas nenhuma das pessoas
herdeiras assinavam a tal de autorização.
Procurado o tio José Rosa de Paula ou compadre José Bertoldo,
cunhado de José Rodrigues de Castro (Zé Mané) este assinou a autorização para
que Mario Stella derrubasse a tal peroba, contrataram o Dilino carroceiro para
transporta-la.
O local onde estava a Peroba ficava, como disse, era um local
de charco, muito úmido, pois toda a água que vinha das partes altas parava ali
e ficava meio pantanoso.
Fartura tinha os carroceiros que faziam este transporte de
toras nos carroções especiais para transporte.
Dilino colocou o carretão, como chamavam estes transportadores
de toras, colocou as madeiras, começou a catraquear para cima do carretão. Fez
várias tentativas, pois o peso era grande, até que em uma das tentativas começou
a mover para cima do carretão, mas quando o peso começou a ficar intenso, em
vez de subir, começou a tombar o carretão, então houve desistência do Dilino
carroceiro, o peso era grande era madeira maciça, pesada.
Transportaram em caminhão, que na época eram poucos, devido a
precariedade das estradas e o custo.
Houve necessidade de transportar uma tora por viagem, devido
peso.
Me recordo, mesmo passado muitos anos o toco da peroba
permanecia no local, foi necessário colocarem fogo nos restos da tora que
permanecia, lembro o local, a pessoa mais alta que tinha era o Mario Martins
que deitava sobre o toco e esticava seus braços assim mesmo sobravam espaços,
tinha em torno de dois metros.
A informação da dificuldade de Dilino carroceiro em executar
o transporte, devido o peso excessivo, foi passada por Mario Bento de Castro
que viveu a época do ocorrido. Segundo constava, existia um pedaço desta tora
no Museu Nacional no Rio de Janeiro, provavelmente, se existiu, com o incêndio,
queimou, pois nada restou.
Picada de
cobra
Toda tarde, voltando para casa, meu irmão Mário ajudava a mãe
a apartar os cabritos. Se não fizesse isso, no dia seguinte não teria leite.
Antes de chegar em casa, vindo da escola, passava pelo cercado dos cabritos e
vinha tocando cabras e cabritinhos e a mãe os esperava com uma bacia de milho.
Assim que as cabras começavam a comer, eles prendiam os cabritinhos numa
casinha.
Naquele dia estava mais difícil fazer isso, porque o bode que
era do tio Juvenal tinha invadido o pasto. Ele tocava e o bode levava as cabras
para outro canto, e era aquela correria ...
Então ele foi até um pé de limão que tinha no pasto e ficava
próximo à lagoa para pegar limões para jogar no bode. Quando pegou o primeiro
limão, sentiu um golpe na perna.
Olhou e quase desmaiou de susto, uma cobra o havia picado e
como ele tinha mudado o passo, ela se torceu e ficou com a barriga para cima e
grudada nele. Ele conta que viu aquela coisa branca e enorme grudada nele.
Chegou em casa, que ficava pertinho, e mostrou para a mãe a
picada. Sua perna apresentava dois furos e estava escorrendo sangue.
Sorte que era de tardezinha e o tio Vicente chegou em casa e
viu o ocorrido. Ele estava a cavalo e não perdeu tempo saiu galopando na direção
da cidade para chegar à chácara do Paulo de Góes, que era o benzedor para
picadas de cobras.
Chegando lá, o seu Paulo já sabia antes mesmo de ele falar
qualquer coisa. O Paulo disse: A cobra
picou o menino, e o tio Vicente confirmou.
Então Seu Paulo de Góes falou: Vai à cidade procurar meu
sobrinho que se formou em medicina o Dr. Zezinho. Ele me proibiu de benzer sem
exigir que se vá no hospital e trazer o médico para aplicar o soro antiofídico.
E vou ficar aqui benzendo...
Chegando lá o Dr. Zezinho foi prontamente à Barra Seca e
aplicou no menino Mário o soro.
Mas o veneno da cobra era forte e ele sofreu por uma semana
E a família abalada sem saber o que fazer. Então minha vó
Luiza mandou chamar um benzedor de picadas de cobras que morava nos arredores
de Timburi.
Ele chegou e disse: Deixaram o menino ficar nesse estado para
me chamar?
Aquilo mexeu com todo mundo ficaram revoltados e raivosos com
o benzedor.
Ele benzeu e mais tarde disse que esse susto que dava nos
familiares era uma estratégia para ajudar na cura.
Graças à Deus, ao Sr. Paulo de Góes e ao Dr. Zezinho ele foi
curado
Caçador de Lobisomem.
Entre os moradores da Barra Seca (Sitio dos Bentos) corria a
história de apontar que fulano de tal era Lobisomem, e que vivia atormentando
os seus moradores.
Sempre nos encontros da reza do terço, alguns de seus
moradores dizia a este é, a unanimidade era gritante quanto á afirmação. Mas
dizem que toda unanimidade é burra.
As pessoas sempre discutiam sobre quem poderia ser o tal
Lobisomem, todos falavam, mas nenhum deles o definia ou apontava: Você é o Lobisomem da Barra
Seca.
Pessoas que sempre discutiam sobre o tema lobisomem eram meu
pai Alicio, o Mario Martins, o tio Pedro Bento, O tio Pedro Bicudo, tio Zeca, o
morador do Zé João, o Zé Barbosa, algumas vezes os meeiros de meu avô.
Sempre ocorria estas desconfianças que no bairro tinha um
Lobisomem, pois sempre na época da Quaresma nas noites de lua cheia os
cachorros começavam a latir lá pelas 10,00 horas, nunca se sabia quem era o
dono dos cachorros, começavam lá no Zé João, na divisa com o Zé Mingo, parecia
que tentando pegar o bicho.
Os cachorro parece que mordiam mas ao mesmo tempo dava aquele
latido desesperado de quem tinha sido atacado, e este pega não pega passava
pelo sitio de meu avô, os cachorros tentando pegar e o bicho correndo e
atacando os cachorros, passava o sitio dos Goizinhos, que era o sitio da tia
Inácia Benta, passava por lá, passavam pela casa grande os Bentos, sempre pega
não pega, tinha que o bicho atacava os cachorros, estes latiam de dor.
Abaixo da casa grande dos Bentos, onde ficava os monjolos,
geralmente desapareciam os latidos e a caça ao Lobisomem, isto pelos cachorros.
Algumas vezes, esta perseguição começava lá próximo ao local que era a casa do
tio Zeca Bento. De casa ouvíamos os latidos lá ao longe que o ataque ao bicho
tinha começado e descia pelo sitio dos Goizinhos e terminava abaixo da casa grande,
lá próximo aos monjolos.
No Zé João tinha um morador que se propôs a pegar o dito
Lobisomem. Ele preparou a arapuca. Armou sua Bacamarte (era a espingarda dos
bandeirantes que tinha um funil na boca), uma porção de sal, uma porção de
açúcar e uma luz bem forte para iluminar a cara do dito cujo, pois se ele
desmaiasse com a claridade, confirmava que tinha sido descoberto o Lobisomem.
Era tempo de quaresma, noite de lua cheia, o nosso amigo
acreditou que aquele dia o bicho ia aparecer.
Isto realmente ocorreu, os cachorros começaram o ataque lá
pelo lado do Zeca Bento, ouvia-se o latido ao longe, veio, passou pelos
Goizinhos, passou pela casa grande e terminou nos monjolos como sempre.
A casa do nosso amigo que ia pegar o lobisomem, ficava no
começo, quando o ataque começava no Zé João divisa do Zé Mingo, portanto
demorava um pouco para restabelecer a ordem.
O dito caçador de Lobisomem preparou a luz forte, em seguida
o sal e depois o açúcar, pois o Lobisomem, podia desmaiar com luz forte no
rosto, pois não gostava de claridade.
Bom passado algum tempo, o nosso caçador escutou vozes. Ficou
na espreita, esperando para provar se realmente tinha pego o dito cujo.
O que ocorreu, armou-se da luz forte e acendeu na cara de
quem ele acreditava ser o bicho peludo.
Eis o susto, quem desmaiou foi ele o caçador de Lobisomem.
Porque quem recebeu a luz no rosto foi o seu irmão que vinha
da cidade, já era tarde, acompanhado por aquele que acreditava ser o Lobisomem.
Portanto mais uma vez a Barra Seca não conseguir provar que
lá tinha um Lobisomem.
Mas a caçada ao Lobisomem continua, pelo menos na nossa
estória de caça ao Lobisomem pois na Barra Seca, os Garcia, os Ribeiros os
Palmas, também tinham o seu Lobisomem.
Casos de Assombrações
As pessoas da Barra
Seca sempre se reuniam para suas rezas, geralmente a noite.
Lá, muitas vezes tinha aquelas pessoas costumas em contar
histórias de assombração que nos deixava todos arrepiados, principalmente as
crianças amedrontadas.
Entre os contadores desta história lembro o Mario Martins genro
da tia Virgilia Benta esposa do Zeca Bento, algumas vezes meu tio Zeca ou
Zezinho Mané, meu pai Alicio, tio Pedro Bento ou Pedrinho Bicudo. Todos
contadores de Histórias de assombração.
Dentro desta história, o do Lobisomem era o mais contado.
Como diziam ser o tal do Lobisomem:
Diziam ser um macaco do tamanho de um homem médio, peludo em
todo o corpo que cobria o rosto rabudo, meio rastejava ou andava em pé.
Agora diziam que ocorreu um fato real na casa grande dos
Bentos. Casa grande. Porque digo que é a casa grande, vou descrever a sua
grandiosidade.
A cozinha era dois planos, tinha dois fogões de lenha o piso
era terra batida.
Saindo desta cozinha, entrava em uma sala imensa, que tomava
toda a extensão da casa, do lado esquerdo tinha dois quartos, ela continha uma
mesa grande e uma saída, para o terreiro, e a saída para outra sala imensa no
sentido longitudinal, também com uma mesa grande, e ao fundo outro dois quartos
e uma porta de saída para o terreirão de terra batida, tinha escada pois a casa
ficava num plano superior ao terreiro.
Voltando na primeira sala tinha outra porta que dava acesso
ao lado restrito da casa, continha outra sala muito grande, também tinha dois
quartos ao fundo um relógio de parede, aquelas salas tinham em média 150 metros
quadrados cada uma, pois tinha em torno de 10x15 metros cada um, ali tinha o
quarto do casal que ficava ao fundo. Tenho isto na minha memória.
Voltando a esta história, o Mario Martins, marido da Maria,
filha do Zeca Bento, portanto sucessora também nesta casa, do vô João Bento de
Castro, estava morando na casa grande, esperando construir sua casa no sito que
tinha, parte do tio Zeca Bento e tia Virgilia, pois a casa tinha sido demolida.
La na casa grande foram com seus filhos o José Eurico e a Lucia, a Sonia nasceu
depois.
Um dia a noite no tempo da Quaresma, diziam que era a época
propicia para o Lobisomem, tempo de lua cheia, propicia para o bicho peludo
aparecer.
Bom, diziam que de repente os cachorros começavam a latir,
cachorros que não sabiam de quem era, e parece iam pra cima, pega não pega,
ataca e o cachorro grita, parece que foi atacado, passaram correndo pelo lado
de baixo da casa cujo a janela ficava uns 10 metros do chão e desapareceram
naquele ataca ao bicho que acreditavam ser o Lobisomem.
Diziam que uma forma para saber de onde era e quem era o
Lobisomem era oferecer naquele momento a quem viesse de manhã pegar açúcar ou
sal, ou se naquela casa tinha sete homens para Lobisomem ou sete mulheres para
mula sem cabeça.
Me recordo que em casa viemos a ter sete homens, mas bem
depois deste caso ocorrido, já não morávamos mais na Barra Seca, também na casa
do tio Joaquim Mané veio a ter sete homens bem depois destes fatos, então não
tínhamos fatos concreto. Não era afirmativo ter sete homens ou sete mulheres,
mas outro dia quem lá apareceu foram meus primos, no que deixou assustados o
Mario e a Maria.
Os Bailes na Barra Seca
Barra Seca era um bairro festivo, pois ali viviam moradores
antigos com seus familiares, por exemplo: os Bentos, os Garcia, os Ribeiro
Palma, Ribeiro Garcia e os Otaviano.
Quando alguém resolvia fazer um Mutirão ou um baile ou uma
reza, procurava saber se alguém não tinha proposto algo.
Não havendo nenhum empecilho, convida os vizinhos para a tal
festa ou reza ou mutirão.
Hoje vou falar dos bailes em família, marcação do dia, o
convite e a contratação do musico, que geralmente era um sanfoneiro, na Barra
Seca, era o Gebra do Roque Mendes ou Joaquinzinho com seu irmão Toninho.
Era importante convidar casas que tinha moças, pois baile sem
dama não era possível, rapazes não haviam necessidade de empenhar os convites,
pois sempre compareciam.
Nestas festas tinha o salão para dançar, o salão do Carimbo,
jogo parecido com o pife, jogava muita gente e o Truco que era uma sala
separada devido os berros e os gritos dos jogadores.
No Truco, os adversários ferrenhos sempre foram, meu tio Zeca
com o padrinho Guga, os dois eram genro
de Júlio Coldibelli, outra dupla era o Sebastião Amaro, pai do Fiscal da Ponte
do Itararé, (Dito Amaro), isto do lado do Paraná, e o outro quase sempre meu
padrinho Oliveira ou um outro irmão ou parente, Oliveira era tio do tio Zeca,
pois a Madrinha Bilica era irmã de meu avô Zé Mané, sempre saia faísca pois o
Bastião Amaro e o padrinho Oliveira , eram ratos no jogo de truco.
O jogo do truco era sempre de dois contra dois, neste jogo
tinham que tomar cuidado com os sapos que ficavam ajudando alguns dos parceiros
entregando o jogo do adversário.
Os bailes começavam lá pelas 9,30 horas ou 10,00 horas, dava
tempo dos convidados jantar e preparar para ir ao baile, que geralmente era
servido um café com um pão ou biscoito, nada exagerado, pois já iam jantados
para a festa.
O Baile até a meia noite seguia animado, dançavam pessoas que
raramente dançavam, por exemplo, via meu pai e minha mãe dançarem, meu tio
Pedrinho e a tia Isaura, as filhas Silvia e Carminha, da casa do Mario e Maria,
a Lucia, da Casa da Madrinha Bilica, a Maria, a Floriana casou cedo, na casa do
Dito Palma, a Mariinha e a Marta, a Cotinha já era casada com o Zezito, na casa
do João Vieira, a Julieta, a Diva, a Hélia era bem menina, na casa da tia
Sebastiana, vi a Maria dançar a Nenê, a Elza era bem menina, tinha as irmãs do
Joaquinzinho, uma era a Tereza, a outra não me recordo o nome, as filhas do
Joaquim Bruno, a Ana e a Beatriz (Bica) como a chamava sua mãe, alguns bailes
também a Maria do tio Joaquim Mané nestas festas estavam aquelas que tinham se
casados a pouco tempo e compareciam ao baile.
Os homens que sempre estavam nestes bailes eram, o Inácio o
Fernando, o Mario Vieira, o Sebastião Palma o Zezo bem menino, o Manezão, os
pés de Valsa, o Américo Barbosa, o Tonico que veio a se casar com a Nenê da tia
Sebastiana, também o João Barbosa, de casa o Luís e o meu irmão Zezo que era um
caso sério, tocava samba ele dançava marcha, tocava marcha dançava samba
canção. O baile em casa compareceu meu tio José Moraes, que também era um pé de
valsa. Nestes bailes não existia bebidas alcoólicas (pinga), mas os rapazes o traziam,
compravam, um litro e escondia na redondeza, de vês em quando ia dar uma
bicada, quando chegava lá pela meia noite ficavam para lá de Bagdá.
Então alguma moça propunha o chimango e o festeiro aceitava e
punha o Chimango.
Era quando a dama tirava o cavalheiro, era uma forma de
excluir os passados e os indesejados na festa. Então colocava o Lenço amarrado
ao lampião e só moças tiravam com quem iam dançar, quando baile corre solto a
dama não podia dispensar o cavalheiro, isto chamava “taba” e dava a maior
confusão, mulher não podia recusar o convite para dançar, única forma de evitar
os indesejados era o chimango, os não escolhidos para dançar se esbravejavam,
mas não tinha jeito tinha que respeitar.
O baile lá pelas 3,00 horas da manhã, já estava desanimado, muita
gente com sono, mas era só tocar aquelas musicas chamadas de limpa banco, o
baile se animava e pegava fogo.
Uma limpa banco que me lembro era do Tonico e Tinoco, o baile
pegava fogo, tinha outras, que também animava demais os bailes.
Isto chegava lá pelas 5,00 horas e o baile acabava, todos iam
dormir, e a Barra Seca silenciava, pois o Baile acabou, aguardando o novo baile
que ia começar ou um mutirão ou uma reza, pois o povo eram todos muito
católicos.
Fogão de Vermelhão.
A vida na roça ou na cidade nos anos 40, 50 e 60, seguia um
ritmo morno, poucas inovações.
Em Fartura, nos Anos 50, começaram uma brincadeira que o
Padre Francisco não ia mais distribuir cinzas, na Quarta-feira de Cinzas, Por que?
Tinha comprado um fogão a gás, nossa prima que trabalhava com
ele, não usava mais fogão a lenha, (a cozinheira do Padre Francisco) era neta
do João Bento de Castro.
O rádio tinha em poucas casas, na Barra Seca, tinha no
Roberto Garcia, filho do Zé Mingo, na casa do Pedro Ribeiro Palma, na casa do
João da Nica, lembro que a antena tinha que ser um fio estendido com dois
bambus bem alto, descia este fio para o rádio, podia ser de pilha uma lata com
60 pilhas interligadas, que durava 6 ou 7 meses, ou radio a bateria que era
recarregável, bateria do carro, levava na cidade demorava 2 a 3 dias para
completar a carga como se dizia.
Outro sonho era ter uma panela de pressão, pois para cozinhar
feijão demorava uma eternidade no fogão a lenha, nesta panela só uma hora, era
uma economia grande de tempo e de lenha.
Uma coisa que em todas as casas tinha era o fogão de lenha,
feito artesanalmente, algumas vezes feito sobre quatro estacas, embaixo
colocava lenha, ou era preenchido de terras e socado e montado o fogão e a
chaminé para a saída fumaça e a chapa de ferro, era o mais usual. Mas para
minha mãe, o sonho era ter um fogão de vermelhão, feito pelo tio Zé Panema, era
uma grife o fogão e a cozinha, avermelhada.
Meu avô tinha chamado o compadre Zé Bertoldo para fazer o
fogão para minha avó, meus pais chamaram, estava morando em Taquarituba. Meu
pai conseguiu dinheiro para comprar os materiais e pagar o compadre Zé Panema
para fazer o fogão de vermelhão e a cozinha.
O fogão do Tio Zé Panema tinha um acabamento impecável, era
colocado, uma chapa para 4 panelas, embaixo o forno para assar, pão, carne e
outra delicias, e o mais importante, não tinha que esperar outro dia de manhã
para tirar o borralho, pois era tirado por baixo do forno, uma grande inovação
para minha mãe e minha avó.
O que mais encantava a gente era ver a paz e a tranquilidade
com que o tio José fazia o seu trabalho, dava uma paz no espirito, um alivio na
alma, ver ele trabalhar, nunca mereceu o apelido Indígena, compadre Panema,
pejorativo, mas sim o que meu avô sempre o chamava, compadre Zé Bertoldo. Para
meu avô o José Rosa de Paula, era o José Bertoldo.
Na Barra Seca tem o costume de chamar o filho pelo nome do
pai, por isto o Zé Bertoldo, Bertoldo era seu pai, bem como meu avô Zé Mané,
Manuel era seu pai, Zé João, João era seu Pai, todos eram originários de São
Simão. Vamos mudar né Dito, tirar o Panema e colocar para sempre o Zé Bertoldo,
em Sebastião, José, João, Antônio, Dito, in memory, Pedro, todos Bertoldo e
nunca mais Panema.
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Os Bailes e as danças das
Famílias
O Bairro Barra Seca tinha um elo familiar bem fechado.
Ali viviam, os Bentos, tinham na casa grande, o tio Joaquim
Bento, solteiro, Tia Maria Benta, casada com Tio Gabriel Braz, este viúvo,
próximos, José Mané como era chamado, seus irmãos Joaquim Mané, e Pedro Bento e
o cunhado Pedro Alves Bicudo, sitio vizinhos bem próximos,
Na vertente do rio dos Monjolos acima, tinha Pedro Ribeiro
Palma, inspetor de quarteirão do bairro, com seus familiares, padrinho
Oliveira, Luiz Palma, Domingos e o Cido. Na chegada do Bairro, após o morro, as
famílias, Nica, João Vieira e o tio Vicente.
Outra família fixada ali a tempo, Antônio Otaviano, com seus
filhos, João, José, Antônio e o genro da Nica o Geraldo.
Quase no centro estava o Benedito Ribeiro Palma.
Em todas as famílias sempre havia alguns que tinham famílias
de meeiros, alguns que eram trabalhadores das famílias, por serem órfãos.
Mas entre estas famílias ouve entrelaçamentos, casamentos,
por exemplo: os Bentos com filhos de Pedro Ribeiro Palma, Oliveira e Bilica,
Pedro Bento e Lurdes, João Otaviano e Ana Castro, José Otaviano e Genoveva,
Geraldo da Nica e Ana Otaviano, Zézito Palma e Cotinha, Tio Vicente Ribeiro
Palma e tia Sebastiana, Cido Palma e a Lola,
Alfredo do Zé Mingo e a Maria do Tio Vicente, Roberto do Zé Mingo e a
Cida da Nica.
Mostro aí que as uniões familiares, casamentos estava quase
sempre em torno dos moradores do Bairro Barra Seca.
Antônio Otaviano vendeu suas terras para Ernesto Bagaglia e
trouxe para administrá-la, meeiro e administrador Durvalino Arruda, com seus
filhos e genro
Com esta família, modificou as relações entre os parentes do
Bairro. Pois Inácio era muito querido e estimado pelos tios os Bentos e os
primos, começando haver um distanciamento, pois era comum sempre as tardezinhas
Inácio passar pelas casas dos tios, José Mané, Pedro Bento e Pedro Bicudo e
nossa casa o Alicio, ele sempre montado numa égua tordilha com um bacheiro, com
aquela roupa de quem tinha saído do cafezal para nossas casas, chegava e
conversava animadamente, depois ia para o tio Pedro que ficava em frente,
sempre era uma visita gostosa a do Inácio.
Um elo que ligava muito as famílias eram os mutirões e os
bailinhos, pois era sempre entre primos e amigos familiares.
Como disse no conto do mutirão, nunca coincidia de um com
outro, sempre se ajustavam para que isto não acontecesse.
Mas com a chegada da família do Durvalino, Inácio se uniu a
eles a tal ponto que as relações com os primos, os Bentos entraram em conflito
a tal ponto que propuseram mutirão e baile no mesmo dia, dividindo a força do
mutirão e do baile.
A proposta do baile, contra a casa dos Bentos era tirar as
damas desta casa, esvaziando. Pois sem dama, não iam dançar homem com homem,
não foi possível, pois, uma das famílias que tinha duas damas não foram para a
turma do Inácio e Dorvalino.
O baile em casa reuniu 10 ou 12 damas, e o sanfoneiro foi o
Toninho e o Joaquinzinho, o deles foi o Gebra do Roque Mendes, dançaram meus
pais, Pedro Bicudo, Tia Isaura, meu irmão Zézo, tocava samba ele dançava valsa,
meu tio Zé Moraes, a turma do Zeca Nogueira, turma do Mario Martins, Maria,
filha Lucia, as irmãs do Joaquinzinho, duas da turma do João Bráulio, sua
sobrinha a Bica e a Ana, foi uma festa e tanto.
Portanto não conseguiram esvaziar o baile nosso, isto era meu
ponto de vista.
Passaram algumas semanas foi feito um baile na casa do Tio
Pedro Bicudo, ele morava na casa que era do tio Pedro Bento, pois este tinha
mudado para o sitio do tio Chico de Góes que era casado com Maria Ursulina,
irmã do avô, (tia Maria Ursulina faleceu com 104 anos, 1897-2001), no sitio do
Pinheirinho. Era o Baile da unificação, os Bentos e a turma do Inácio com Durvalino,
foi um baile e tanto, todo o bairro lá estava, pois o tio Pedrinho com sua
turma não era o ponto de desunião mas sim de pacificação.
Mas quando foi lá pelas 10.00 horas ou 11,00, o pomo da
discórdia surgiu, havendo uma discussão entre o Inácio e meu Pai, por estes
desencontro entre os familiares, foi quando se insurgiu o Durvalino que não
permitia discutir e nem brigar com o Inácio que era um rapaz muito bom, não
tinha razão quem propunha isto, logo apareceu o Roque também topando tudo para
defender o Inácio, mas ficou só em uma discussão ríspida, não terminou em
briga, mas as famílias nunca mais voltaram a ser a mesma.
Comentava-se que esta aproximação do Inácio com a turma do Durvalino,
era por uma de suas filhas, sei que duas eram solteiras, mas sei que houve o
casamento do Fernando com a Conceição, que neste tempo era uma menina, este era
o fato que todos sabíamos, mas disso só restou a amizade entre o Roque e o
Inácio.
O baile continuou, sanfoneiro Joaquinzinho, entregou a
sanfona a seu irmão Toninho, tocou uma música aquela que era chamada de limpa
banco, ninguém fica sentado, Joaquim pediu para dançar com sua musa, pediu- a
em namoro, a resposta, não. O sanfoneiro levou uma taba da moça com a qual
pretendia se casar, Joaquim ficou chateado e desesperado, para ele a festa
acabou.
Conforme digo, conto o que vi e vivi, foi assim que ocorreu a
entrada desta família no Bairro Barra Seca, que nunca mais foi a mesma, Família
Durvalino Arruda e a Barra Seca, que também passou ser um elo entre seus
moradores, hoje estão todos juntos e se misturaram.
Padre Salvador e as ofertas.
Fartura é uma cidade católica, parte de seus moradores são de
origem Italiana, tanto que no início do sec. XX pediram para a Cúria que
mandassem padres Italianos para a vila que crescia rapidamente.
Uns dos primeiros padres de origem Italiana que veio para
Fartura, foi o padre José Trombi, mais tarde, Monsenhor Trombi.
Monsenhor Trombi, batizou e casou muitos cidadãos em Fartura,
pois ali permaneceu até sua morte, anos 40.
Fartura que é a Terra de dois Bispos, Dom Gorgônio Alves da
Encarnação e Dom Mauro Aparecido dos Santos. Gorgônio que vi como Coroinha do
Padre Salvador.
Famílias Italianas prosperaram em Fartura, não só as
Italianas, mas também as de origem espanhola, síria, portuguesas. Uma em
especial a do Conrado Blanco, “O emburrado”. Digo porque me recordo dele,
parecia sempre estar descontente com alguma coisa, nem só na pescaria como já
contei.
Diferente da Dona Maria Vega sua esposa que gostava de
conversar, até parecia ser italiana, gostava de parlare, parlare.
Conhecia a fazenda deles na Barra Seca, fazia divisa com os
sítios dos Bentos.
PRENDAS
Mais uma história que rolava nas reuniões de rezas e terços
na Barra Seca, como falo, mais uma que o Mario Vieira sabe.
Na nossa cidade Fartura, no meu tempo de criança, o Pároco
era o Padre Francisco de Lucia, com o qual eu fiz minha primeira comunhão aos
sete anos, coordenada pela professora Zélia Rocha, filha do João Rocha.
Dona Zélia que assumiu a escola do Bairro Barra Seca, no
começo do ano em 1954, mas não terminou, veio como substituta a dona Mariinha
filha do Zé Damásio, que me reprovou, mas depois me redimi, era sempre o
primeiro ou segundo de toda a escola, isto até ir para o Coronel Marcos Ribeiro
na quarta série.
Não era fácil todos os dias caminhar 13 km, para cursar a
quarta série, isto aos 11 anos.
Mas voltando ao tema, festas da Paróquia, sempre era
escolhido um festeiro, para comandar. Era este que corria atrás dos doadores,
dos cooperadores na festa, fazia reunião, escolhia quem ia comandar uma
barraca, comandar os assados, os leilões e os jogos de cartela. Tudo comandado
pelo festeiro, que sempre era uma pessoa influente e conhecido.
Se num ano de crise pegar um festeiro molenga, as coisas não
iriam bem na Paróquia. Quem vive em uma comunidade católica, sabe muito bem
como é importante estas festas, pois os valores arrecadados que levam a
sobrevivência da Paróquia o ano todo.
Como o festeiro não se mexia, o padre resolveu mandar o
Sacristão para ir pedir ofertas nos sítios e nas Fazendas, arrecadar dinheiro,
frangos, porcos, novilhos, tudo que fosse possível, para a festa da Paróquia.
La foi o Sacristão com o velho Jipe Willis, trações nas
quatro rodas, nenhum atoleiro segurava. Estava chegando a hora da missa das
seis horas da tarde, os sinos tinham repicados as três vezes, convidando a comunidade
para a missa e nada do Sacristão aparecer.
Deu as seis horas o sacristão não apareceu, o padre começou a
missa, o padre fez a leitura do Evangelho e começa o Sermão, com o tema. O
relaxo da Comunidade com a Igreja a falta de doações, a falta zelo com as
coisas de Deus, descascou a borduna em cima dos fiéis, que neste caso eram
infiéis. O Padre falava e olhava para ver se o Sacristão aparecia, nada do
Sacristão.
A oração dos fieis foi feito, nada do Sacristão. Veio a
oração das ofertas, nada do Sacristão. Lembro em Fartura a Leitura do João
Garcia, tinha uma potência na vóz, não tinha serviço de som, sua vóz ressoava
por toda a Igreja.
A hora que o padre rezou cantando Dominus vo biscoo. Lá da Sacristia o sacristão respondeu com aquela vós
potente, Et com spirituo.
Já o padre que estava louco para saber se as visitas as comunidades
foram boas, pergunta, no altar, de costa para a comunidade, conforme era antes
da reforma dos papas Paulo VI e João XXIII.
Pergunta cantando, Irmão o que trouxeste?
Responde o Sacristão cantando lá da Sacristia, pois não teve
tempo de se paramentar.
Papatos bebes, amarrados pelos pés
Isto o padre ficou sabendo que era prendas vivas, patos e
cabritos, amarrados pelos pés, só amarrava pelos pés, porque estavam vivos. E o
Padre terminou a Missa mais feliz, sabendo que a empreitada do Sacristão tinha
dado resultado.
Em Fartura, os Garcia, os Ribeiros, os Palmas, estavam sempre
convocados para serem Festeiro, pois sempre rendia uma novilha para a festa.
Festas
Populares
Barra Seca, sempre foi muito chegado a festas e a cooperação
entre seus moradores, por exemplo: mutirão, troca de dias e no caso da colheita
do café, contratava a família para derriça do café, pois criança de 10 anos ou
mais iam com os pais para a panha do café, pois o café era colhido no mês de
Julho, época das férias da escola do Bairro a Escola Mista Municipal do Bairro
Barra Seca. Isto era pago por sacas de café ou por pês de café colhido, ou a
paga por dia.
Isto será assunto para um outro dia, onde descreverei
conforme vi e convivi com este dia a dia na Barra Seca.
Meu Pai Alicio tinha um sonho, fazer uma Festa de São
Gonçalo, uma coisa que sempre fazia era Romarias para Siqueira Campos, Romaria
para Aparecida e fez uma para visitar o Padre Donizetti em Tambaú, foi um
fenômeno religioso que apareceu na época, tornou-se um centro de peregrinação.
Meu Pai lotou um caminhão e foi até la, (pau de arara), foi uma viagem
desgastante, sair de Fartura e ir próximo a Ribeirão Preto, nos anos 50, não
era fácil.
Mostro o lado de meu Pai, que sempre foi ligado a
religiosidade e as festas populares, bailes, fandango e a festa de São Gonçalo.
Estávamos morando no primo Chiquinho Garcia, que ficava na estrada,
Fartura X Carlópolis, na reta do Matão dos Meireles, divisa com Zé Garcia.
Meu pai Alicio queria fazer uma festa servindo as pessoas uma
refeição, como sempre aquela macarronada com frango, o vinho Sangue de boi,
suave de mesa, e a velha Cana Chic para os homens, para as mulheres era o
costume de pegar o vinho por água e adoçar para não ficar forte, era gostoso.
Minha mãe chamou para ajudá-la, várias mulheres, uma era a
dona Conceição do seu Gnarte, que morava no Zé Garcia, a Nona não me recordo se
ela foi chamada ou não foi por algum motivo, pois, o Dilino, o Sebastião e a dona Rosa Moravam bem próximo
a nós, plantavam arroz irrigado nas terras do Dito Garcia.
Pessoas que foram para esta festa: famílias que moravam no Zé
Garcia, entre eles, familiares do Cecílio Cassiano (Amansador de Cavalo e
burro), pois com eles vieram sua sobrinha, Nezinha, e outra menina que virou
caso, contado. Turma do Mario da Fátima, a turma que moravam no Alcides
Messias, uns dos primeiros agricultores a usar implementos agrícolas em
Fartura, plantadeiras e colheitadeiras mecanizadas, do Paraná a turma do Lau
Vaz, os filhos deles, eram nossos amigos. A turma da Barra Seca, parentes tios,
primos, os familiares dos Bentos e alguns dos Garcia, pois na época, saímos de
lá com relações estremecidas com alguns, que todos os adoravam, mas com a chegada
de familiares isto modificou.
Para a Festa de São Gonçalo, foi preparado o terreiro,
cobrindo com folhas, também cercado com folhas e feito um altar, onde ficou a
imagens dos Santos e do São Gonçalo. Neste cercado coberto foi onde foi servido
a refeição e a dança de São Gonçalo.
Para isto, convidou um violeiro muito conhecido, experiente
para a condução da dança.
Era uma dança onde participava crianças, jovens, casais,
novos, velhos e idosos, que consistia em fazer pares.
Lembro que o instrumento era a viola de 10 cordas, pandeiro, a
batida era compassada, lembro que o começo era uma cantoria em frente o altar,
que no final do refrão dizia, (hora viva, viva, São Gonçalo de Amarante que
veio de Portugal) isto em frente altar, depois, os casais formavam um círculo
acompanhando o violeiro , ficavam dançando balançando o corpo, depois do
círculo, vinha a hora da reflexão ao altar, sempre comandada pelo violeiro,
vinha o primeiro casal, podia der o dono da casa, fazia reflexão ao altar e
ficava um de um lado e outro de outro lado, com as mão entrelaçados, vinha o
segundo casal fazia reflexão, passava pelas mãos deste casal e ficava logo a
frente, isto se repetia até o termino de todos os casais. Era uma dança muito
parecida com a quadrilha, mas muito longo, pois consistia em primeiro no altar
cantar homenageando os santos do altar, muito parecido com uma ladainha, depois
o círculo, onde o casal ia dançando balançando mais ou menos ao ritmo da
cantoria, depois a reflexão frente o altar e se colocar para a passagem de
outros casais.
Esta festa em casa foi feita desta forma, alicio com a Maria
foram os Festeiros, o violeiro não me recordo o nome, mas era um violeiro
conhecido por comandar as festas de São Gonçalo.
Ao final de tudo isto ocorreu uma chuva que terminou com esta
reunião de São Gonçalo. Foi nesta festa que começou o namoro de meu irmão e
minha Cunhada.
Este roteiro da festa de São Gonçalo, foi o que foi escolhido
deste violeiro, mas em Fartura tinha mais violeiros cantores de São
Gonçalo, seu Gnarte era um deles mas tinha
outros estilo de dança, mas eram quase todas iguais. Hoje creio que este tipo
de festa não ocorre mais em Fartura.
Se ocorre, desconheço, não sei se os velhos violeiros,
deixaram raízes na família para seguir com esta tradição, por exemplo, meu avô
José Mane, tocava viola como ninguém, mas não deixou herdeiro do seu estilo,
das suas emboladas
A
Pescaria
Anos 60, morávamos lá no Chiquinho Garcia, ficava lá onde o
Rio Itararé era chamado de Volta Grande, que ficava a fazenda do João Vieira,
de ambos os lados tanto do lado de São Paulo, como do Estado do Paraná.
No final em baixo ficava a fazenda do Olavo, um pouco mais
abaixo começava a fazenda Santana de Chico Fernandes.
Nesta divisa entre Olavo e João Vieira, alguns pescadores
aportavam seus barcos, pois era de fácil acesso até o rio. Meu Pai tinha um
barco que ficava aportado ali e muito dos amigos da cidade vinham ali e usavam
o nosso barco, que também tinha de outros usuários, devido a facilidade de
acesso.
Eu e meus irmãos quando não estávamos correndo atrás de uma
bola, estávamos no rio a pescar, ou a nadar, pois era costume, subir o barco
contra a correnteza, 2 a 3 mil metros, depois soltava o barco e vínhamos
nadando acompanhando o barco rio abaixo.
Logo abaixo daquele porto, na curva do rio, tinha um local
chamado poção, pois a água fazia um rodopio, parecendo um funil, que era muito
forte, nós de barco não passávamos por este ponto, passava por fora. O local
favorito do meu pai pescar era do outro lado do rio, bem na curva, ele fazia
seva, ou seja, colocava milho lá, depois ia pescar, pegava pacus rosa, que
tinha carne deliciosa e não tinha espinho.
Um dia nos chamou atenção, quando ali foram pescar, Chico
Fernandes, Domingo Blanco e seu pai o Conrado Blanco.
La chegaram com um barco, subiram uns metros rio acima e
jogaram bastante milho triturado, aquilo fez ver que naquele local tinha muito
peixe, pois tinha muito peixe pulando, piava, campineiro mandi-chuva, o Chico
Fernandes com o Domingos, aportaram um pouco abaixo do local onde jogaram a
ração. O Conrado ficou no barranco, mas logo se emburrou, reclamando.
O Chico Fernandes perguntou: que foi compadre, e o Conrado
com seu Portunhol, não pego nada, não da nem sinal, aportaram o barco ele foi
pescar no barco. O Chico Fernandes tinha uma sacola que era de barbante, trançado,
onde ele colocou dentro d’água e ali ia colocando os peixes. Para ele a
pescaria estava ótima, pois estava pegando muitos peixes. Pegar e colocar na
sacola. Uma hora, estava contente com tanto peixe o Chico Fernandes foi olhar o
viveiro dos peixes, a sacola..
Levantou para cima, viu mais um saindo, a sacola tinha um
furo por onde os peixes saiam. Qual não foi decepção de Chico Fernandes,
pensando encontrar uns 20 peixes e sacola estava quase vazia, mas o Conrado deu
uma risadinha de deboche, pode-se dizer zuerando o Chico Fernandes, pescador
que muito pegou, mas nada levou, até parece que a pesca esportiva começou com
ele, pega e solta.
Festas juninas
24 de Junho, dia de São João, posso dizer com saudades desta
festa nos anos 50, que vivia em Fartura, as autenticas festas Juninas do Bairro
Barra Seca, lá na casa dos Bentos, na Casa Grande, onde o Tio Joaquim Bento, tia
Maria Benta com o tio Gabriel Brás, seu marido, algumas vezes tinham como
moradores alguns dos sobrinhos destes, outros irmãos eram falecidos, ou irmãs
casadas. Dentre estas irmãs de tia Maria Benta, tinha a tia Luíza, casada com o
Tio Zé Furquim, a tia Inácia Benta já viúva, mãe dos Góezinhos, e a tia
Sebastiana Benta, também viúva, lá compareciam na festa além de todos os
sobrinhos com seus familiares. Para a festa de São João, havia uma preparação
de pelo menos três dias antes, para montar a fogueira, a preparação dos
biscoitos de Polvilho, a broa de fubá envolta em folhas de bananeiras e a delícia
do pão caseiro, eram assados na fornalha de lenha. Para o preparo dos assados era
chamado o tio José Panema, marido da tia
Luiza Benta irmã do meu avô, que era uma de espécie de faz tudo para a família,
pedreiro, marceneiro, padeiro, não esqueço também do Mario Martins, que era pau
para muitas obras, este genro da tia Vergília Benta, viúva do tio Zeca Bento,
outro irmão da tia Maria Falecido.
Na noite de São João, tinha a fogueira e uma dança caipira
onde era tocado por uma viola e pandeiro e só participava os homens, era um autêntico
Catira, sapateado, o jogo de truco, onde tinham as duplas já definidas e um
outro jogo onde participava mais gente o Carimbó, parecido com o pife. Algumas
vezes acontecia a travessia da fogueira quando esta formava um bom braseiro. No
dia 24, havia a reza do terço, por um rezador experiente que era convidado, ao
termino do terço, levantava o mastro, que era triangular com as figuras de São João,
São Pedro e São Paulo e a queima de fogos e após isto para nós criança o mais
gostoso de tudo, comer biscoito, broa e o gostoso pão doce caseiro. Lembro que
lá ia meu pai, meu avô, meus tios para ajudar nesta grandiosa festa de São
João, lembro de todos os tios primos e parentes que lá comparecia. Esta era a
autentica festa de São João. Viva São João. Sei que onde estiver todos meus
parentes responderão. Viva.
Jandaia
Em 1960 morávamos no sitio de meus avós na Barra Seca.
Não tínhamos mais como ampliar nossa área de plantação, pois
lá não havia terras disponíveis.
Surgiu uma oportunidade de trabalhar na fazenda de Francisco
Rodrigues de Oliveira, genro do Coronel Marcos Ribeiro, Chiquinho Garcia como
conheciam, somos também Rodrigues de Oliveira, por isto se relacionávamos como primos.
Quando morávamos na Barra Seca, meu pai arrendou um pedaço de
terra do Zé Prioli, onde derrubou uma mata densa e lá tinha várias espécies de
pássaros, papagaio, Tiriva, Baitaca, maracanã, nhandaias e o tuim, o menor de
todos, todos pássaros verde, que falam, cantam, assovia, imitam outras aves,
falam algumas palavras, hoje creio que nenhumas destas espécies existem em
Fartura, pois não existe matas onde era o habitat natural.
A finalidade de meu pai em arrendar estas terras era plantar
arroz, pagando vinte por cento de arrendamento do total do arroz colhido, isto
era o costume.
Nesta terra tinha um ninho de nhandaia, e a pedido de meu
irmão Luiz, já falecido, meu pai tirou os filhotes deste ninho, que estava a
uma altura de 10 metros ou mais, teve que construir uma forma especial para
subir a esta altura, teve a ajuda de meu tio Mario já falecido,
A forma para subir foi, uma vara reta e amarrava cipós de 50
em 50 centímetros, em seguida colocava mais outra coivara emendada na primeira
até chegar onde estava os filhotes. Eram dois os filhotes, foram levados para
casa, foram criados soltos, pois viviam perturbando as galinhas até que um teve
um ataque e morreu. Ficamos só com um.
Quando mudamos lá para o Chiquinho, ele foi levado e
continuou solto. Ele ficava o dia inteiro nos ninhos das galinhas, cantava e
gritava imitando as galinhas, inclusive nos atacava como a galinha fazia no seu
ninho.
Um domingo, não estávamos em casa, lá chegou o Chiquinho
Garcia com o José Hamilton Ribeiro que viu o passarinho solto, simplesmente com
a complacência do Chiquinho Garcia, falou vou levar, segundo Chiquinho Garcia
confessou, portanto roubou o nosso passarinho.
Quando cheguei da casa de um vizinho que morava na fazenda do
José Garcia Ribeiro, também genro do Coronel Marcos Ribeiro, fui procurar o
passarinho, pois era eu quem o cuidava, não encontrei, todos de casa foram a
procura, pois vivia solto.
No outro dia, uma segunda, o Chiquinho Garcia chegou em casa
e contou que José Hamilton Ribeiro tinha
roubado o passarinho. Disse para o Chiquinho que ia escrever um artigo no
jornal sobre o passarinho roubado.
Nunca consegui confirmar esta informação com José Hamilton
Ribeiro, mas tenho a informação do seu amigo que estava em Fartura com ele, o
Francisco Rodrigues de Oliveira o Chiquinho Garcia.
Candidatura a Prefeitura
Hoje vou trazer a tona a história de campanhas a prefeitura
de Fartura.
Nós morávamos na fazenda do Chiquinho Garcia (Francisco
Rodrigues de Oliveira, fazenda que ficava a 7 Km de Fartura na estrada Fartura
Carlópolis, de frente tinha a fazenda de Chico Fernandes que era uma reserva de
mata nativa, onde tinha, macacos, bugios, pacas, cotia, pássaros, urus, jacus,
pássaros verdes, como papagaios, baitacas, tirivas, periquitos, era uma
verdadeira reserva da biodiversidade.
A frente ficava a fazenda de José Garcia Ribeiro, concunhado
do Francisco Garcia (Chiquinho), José Garcia pai de José Marcos, e antes tinha
o sitio de Luiz Mingo e ao fundo a fazenda do Pio Garcia e Benedito Garcia e o
doutor Álvaro, filhos de Isaac Garcia.
Feito a descrição do local da fazenda, não mencionei que
tinha bichos peçonhentos, lembro que entre as espécies que continha na mata,
existiam cobras, foi encontrado uma cobra cascavel e uma cobra perigosa demais
que picando as pessoas quando não matavam aleijava a Urutu Cruzeiro, que em sua
cabeça parecia ter uma cruz.
As pastagens da fazenda do Francisco estavam vazias, ociosas,
e o Benedito Garcia tinha algumas cabeças de gado precisando de pastos,
aproximado 100 cabeças de gado.
Estiveram em casa discutindo os termos deste contrato, uma
coisa que sei que foi combinado a abertura das cercas das fazendas e transformando-as
em uso comum, pois as rezes tinham espaço comum entre as duas fazendas, sendo
que este uso comum foi por dois anos, tempo suficiente para a engorda e
crescimento dos garrotes.
Para mim, foi triste, pois tinha algumas vacas que era boas
produtoras de leite que no final foram vendidas no lote e não a reservaram.
Mas nós moradores que ordenhavam estes animais, não podíamos
fazer nada, eram animais dóceis e produziam muito leite, uma produzia em média
12 litros por dia na ordenha.
Vou voltar ao tema principal desta história que é a
candidatura a prefeitura de Fartura.
Nesta reunião em casa estavam os vereadores Orani Diana, Merkis
Encarnação, Benedito Garcia Ribeiro, e o Francisco Rodrigues de Oliveira
(Chiquinho) e meu pai Felício Rodrigues de Oliveira, e eu claro de longe, pois
não era costume ficarmos a espreita vendo a conversa das pessoas, mas eu
estava.
Começaram discutindo as estradas vicinais que o prefeito Zizi
não estava atendendo e que havia consenso entre os três vereadores em atender esta
demanda, comentavam o comportamento do prefeito Zizi no atendimento ao público,
este era o pomo da discórdia e o consenso de todos.
E conversando sobre a administração da prefeitura via-se o
comportamento do Benedito Garcia que se encaminhando para uma proposição de
candidatura a prefeitura de Fartura.
Conversaram umas duas horas, no final ocorreu uma discussão
sobre um munícipe que foi reclamar com o Zizi algo de seu interesse, este
estava na rua monitorando obras.
O Munícipe ao interpelar o prefeito Zizi, este disse
categoricamente, não vou te atender aqui. Só atendo no meu Gabinete.
Foi que o futuro prefeito Benedito Garcia Ribeiro falou:
Munícipe a gente atende até no banheiro.
Foi que o Sr. Merkis falou: Vai ser o nosso futuro prefeito?
Riram muito da situação.
O encontro em casa foi para firmar o contrato entre Benedito
Garcia Ribeiro e Francisco Rodrigues de Oliveira, os outros que ali estavam
presentes, Merkis, Orani, e meu pai Alicio estavam ali apenas para
confraternizar, como conheciam minha mãe Maria ela serviu um cafezinho e eu
como sempre na espreita.
Isto é uma história que presenciei, de quem veio a ser o
Prefeito de Fartura em várias Legislatura, considerado por muitos o melhor
prefeito de todos os tempos. Hoje é saudade, pois nenhum deles estão presentes
entre nós, saudades dos momentos em que vivi e de ter vivido, minha homenagem
aos meus pais Alicio e Maria e saudações a Sr. Merkis, Sr. Orani, Sr. Benedito
Garcia, e Sr. Francisco Rodrigues de Oliveira.
Mutirões
Meu pai decidiu fazer um mutirão pelo fato de ter que
entregar uma área no tempo combinado.
Tinha que ver se tinha condições de comprar os pertences
necessário para a execução do mutirão.
Pertences tais como, bebida, pinga, vinho, chá mate, o café,
no nosso caso, tínhamos café caseiro, só tinha que torrar e moer, isto feito em
casa.
Os alimentos tinha que ser dimensionados a quantidade de
macarrão, a massa de tomate, queijo para
macarronada, comprado e ralado em casa, para ficar mais barato, quantidade de
frangos necessários, ou carne de porco, no nosso caso foi frango criado em
casa, dimensionado pela quantia de pessoas que viriam no mutirão, isto com
ajuda de uma pessoa experiente, no nosso caso, nosso avô Zé Mané, como era
conhecido, e minha vó Benedita.
Outra coisa importante era ter as panelas ou os fornos para
fazer os alimentos.
O macarrão tinha que ser feito em forno que coubesse bastante
macarrão, panela para fazer os frangos, geralmente forno. E o café ou chá mate,
coados em coadores maiores que usados na rotina diária. Os pratos e colheres,
eram aqueles esmaltados, meus pais emprestaram dos parentes, lembro que
marcavam com esmalte, quando fosse devolver, sabiam quem eram os donos.
Lembro que meus avós tinham tudo isto, fornos, algumas
panelas maiores, pois faziam sabão, açúcar de cana e em alguns casos a casa
grande dos Bentos, também tinham todos este apetrechos de cozinha, inclusive
lembro do taxo de cobre que tinham lá.
Feito tudo que era necessário, o que não tinha, comprava-se
ou emprestava aquilo que não havia necessidade de comprar.
Meu pai e meus irmãos saíram de casa em casa fazer os
convites para o mutirão, o que era de costume ninguém negava o convite e nem
havia crítica pelo motivo do mutirão, única coisa, nunca coincidir com outro no
bairro. Algumas vezes os mais velhos resolviam este conflito,
Uma coisa necessária no mutirão era as limas, ou as pedras
para melhorar o corte das ferramentas.
Outra coisa necessária era água para servir os trabalhadores,
tinha que ter os corotes, as moringas e as porungas para levar agua no eito, e
no decorrer do trabalho lá vai meu pai oferecendo uma dose de cana chic ou um
copo de vinho sangue de boi.
No horário do almoço, foi servido em casa, pois se fosse
levar no eito, seria necessário caldeirões e os talheres serem transportado,
por isto foi servido em casa, onde cada um pegava seu prato e colher, na roça
não usava garfo como hoje, onde havia alguns que repetia o prato, comia-se a
vontade, claro, uma dose de pinga ou vinho com a comida, no caso deste mutirão,
macarronada com frango, depois um golinho de café, isto foi em casa. Depois do
almoço, voltaram para o eito, trabalhavam um pouco mais, no roçado no caso
deste mutirão, aconteciam coisas bem característicos como as cantorias, músicas
de pedidas de ajuda no eito, músicas de época do Tonico e Tinoco, também
fizeram uma forma de deixar uma turma fechada em um capão, foi divertido,
depois veio o pedido em cantoria para ajudar a terminar o capão, lembro da
bronca de um deles pela falta de agua para beber, colocávamos limão na agua
para diminuir a quantia de aguas bebidas.
Depois a tarde, foi servido café com pão caseiro, feito em
fornalha de lenha, ou também com chá mate, tudo isto era uma festa para os companheiros
que foram ajudar meu pai, como citei, em casa eram eu meu irmão Elias, o Zézo e
o Luís o mais velho faleceu em 2001, meus pais Alicio e Maria, meu pai faleceu
picado por uma cobra cascavel em nosso sitio em 1973, minha mãe faleceu em
2001, meus avós Zé Mané e Benedita, já falecidos
Tenho que fazer uma homenagem a maioria das pessoas que
participaram neste mutirão, são in mémory, pois são falecidos, vou fazer como
uma chamada pela saudade que nos causa está ausência:
Meus pais Alicio e Maria, meu irmão Luís, Meus avós José e
Benedita, meus tios, Zeca, Mario, João, tio João e Ana, meus tios padrinhos
Oliveira e Bilica, Pedrinho e Isaura, primos, Maria e Mario, filho Zé Eurico,
Dona Rosa Fiory, Adelino Garbelotti, Sebastião Coltibelli, esposa dona Maria é
viva, Dinho me parece que também estava, enfim família de dona Rosa, em memória
Dito Palma filho Sebastião, Zezito Vieira Palma, me parece que está vindo a
memória que o Mario Vieira estava também, meu padrinho Guga, esposo da madrinha
Carmem, o Domingos Palma, o João Basílio, esposo da Luiza que era irmão do Zeca
Nogueira, João era compadre do pai, o Zeca estava com a Geralda com os filhos e
a luzia que é casada com o João Barboza, seus filhos Carlos, João e Reinaldo,
ambos falecidos, vivas me parece que a Fátima e a Aparecida. Não posso deixar
de citar o primo Inácio, como citei um filho do Zé Mingo estava no mutirão vou
citar seu nome apesar de dizer que não me conhece, o Duarte estava neste
mutirão, o Zé Barbosa e a Juraci, o Tonico Barbosa, fim trágico como meu pai,
os futuros genros do João Basílio, Gentil e outro que não me vem a memória, mas
eles eram ligados ao Fidenco Cananéia, que tocava violino e era lenhador,
cortador de lenha.
Teve mais pessoas que ajudaram minha mãe na cozinha, tais
como, minha Vó Benedita, Maria do Mario, Juraci do Zé Barbosa, Tia Isaura,
madrinha Bilica, creio que a tia Lurdes, dona Rosa, agora Lembrei, mais alguém
que estava o Joaquim e o Mino e um que era folclore, mas lá estava, o Tufão e o
seu irmão, moravam lá no Zé Prioli, eram muito amigos de meu pai e nós meninos
nos davam demais com eles. Do seu Júlio Coldibelli e de dona Maria tinha mais
alguns de seus filhos, eram compadres de meu pai.
O mutirão para ser detalhado, teria que ser contado em pelo
menos 100 páginas, seria um livro, aqui não é possível.
Não esqueçamos que a noite tem o baile que tem detalhes
interessantes que muita gente vai se recordar, então até a noite.
Mutirões na
Barra Seca.
Era costume quando um dos moradores do bairro estava apertado
na sua roça organizar um mutirão.
Para fazer, procurava saber se não tinha no bairro alguém
programando um mutirão.
Isto era feito para reunir o maior número possíveis de
parceiros no mutirão, que era feita aos sábados, dia que geralmente, não era
útil para os moradores do bairro.
Meu pai fez um que era para roçar os pastos do Zé Mingo, para
pagar uma dívida.
No dia marcado (sábado), compareceu umas 35 pessoas,
inclusive um filho do Zé Mingo.
Começava o mutirão lá pelas 7,30 horas, com um café para os
roceiros, servia café com o pão caseiro, isto feito pela esposa do dono do
mutirão que recebia ajuda dos parentes e amigas das família.
Era costume servir no eito, uma pequena dose de pinga ou
vinho, que era o sangue de boi que existe hoje e eu sou adepto deste vinho.
O bonito destas reuniões que era o trabalho e a cantoria dos
roceiros.
Eu e meus irmão tínhamos que levar água para os roceiros,
colocávamos um pouco de limão para que não se bebessem tanta água.
Era difícil, pois o roçado era longe do local das minas d’água,
não havia água, suficiente, quem estava trabalhando reclamava.
No meio destes roçados, quem aparecia, era o chefe de
quarteirão que orientava os roceiros o que fazer, mas o que ocorreu neste
roçado, lembro que o chefe de quarteirão era o Pedro Ribeiro Palma, que
convocou Benedito Ribeiro Palma e meu avô José Rodrigues de Castro, para
resolver uma situação dentro do mutirão, ou até fora, como por exemplo o
próximo mutirão, havendo conflito, decidiam, os postulantes acatavam.
Posto isto, vinha a hora do almoço, era trabalhoso para as
mulheres, comandado sempre por uma muito experiente, como minha vó Benedita e
uma Nona, que não só trazia as crianças ao mundo (dona Rosa Fiory), sempre
estava a ajudar as famílias dos Bento, até porque, uma de suas filhas era
casada com o filho do Zeca Bento, o Antônio Bento e Antônia ou Tonica como a
conheciam.
O almoço era macarronada, feito com o macarrão furado e a
massa de tomate era o da Cica, a do Elefante, já tinha naquele tempo.
Almoçava-se e voltava a trabalhar mais um pouco, até as duas
horas da tarde. Lembro dos que foram neste mutirão, meus tios, José, João,
Mario Martins, Sebastião do Dito Palma, Zezito Vieira, Oliveiro Palma, Domingos
Palma, a o Dominguinhos, Gabriel Fogaça, o Inácio, Pedro Bento, Pedro Bicudo,
Antônio Amantino, José Barbosa, o Tonico, Dilino Garbelotti, padrinho Guga,
Sebastião Coltibelli e outros que não lembro, mas eram uns 35 no total e os
três conselheiros, avô Zé Mané, como era conhecido, Pedro Ribeiro Palma e Dito
Ribeiro Palma.
As mulheres, minha mãe Maria, vó Benedita, dona Rosa, tias
Isaura, Maria do Mario, esposa do Zé Barbosa a Juraci. Mais algumas, pois era
muito serviço para as mulheres.
Como disse, o trabalho ia até as duas horas da tarde, depois
do café com pão ou chá que era o chá mate, e as pessoas iam para casa para se
preparar para o baile a noite.
O fofoqueiro
Hoje vou contar uma história relacionada as meninas da Barra
Sêca que foram nadar no ribeirão.
Os meninos dos Bentos tinham costume jogar bola ou brincar no
ribeirão dos monjolos, nadar.
Falar ribeirão dos monjolos, porque tinha um no Pedro Ribeiro
Palma e de outra vertente tinha do Benedito Ribeiro Palma, mais ja nôs Bentos o
Monjolo do Zé João, mais em baixo, do Zé Mané, la na casa grande dos Bentos
tinha mais dois monjolos, tinha mais um que éra do Pedro Bento, que era o
antigo monjolo do Manuel Bento.
Éra la que os meninos ião aos domingos e dias santos, pois na
roça não tinha feriado,só dia santo, como por exemplo, São João. São Pedro.
Foi em um destes encontro de primas, resolverão ir nadar no
ribeirão, tinha que ser escondidos das mães e dos meninos, em uma curva do
ribeirão, coberto por pés de uma flor chamada manda saia. Este local éra entre
os monjolos do Zé Mané e o do Pedro Bento.
Elas la foram todas meninas moças de 09 a 13!anos. Para
brincar na agua, tiraram os vestidos, ficando de calcinhas, meninas naquele
tempo não tinha o corpo tão desenvolvidos como meninas até de 10 anos tem.
Nessas algazarras, uma falava para outra: vocês não vão falar
pra ninguêm.
Eis quem aparece na cena, estava escondido, vendo irmã e
primas naquela algazarras era o Zelinho fofoqueiro, gritou: póde deixar que eu
conto pra mãe!
Eis o desespero cada uma querendo pegar seu vestido para se
proteger. As primas hoje elas são avós e até bisavós, todas vivas, mas o
Zelinho fofoqueiro não esta entre nós.
Luiz Mingo e a derrubada da Restinga .
Morávamos lá na
Fazenda do Chiquinho Garcia, genro do Coronel Marcos Ribeiro, ficava
na estrada para Carlópolis em frente, ficava o Matão da Fazenda do Chico
Fernandes, a frente ficava a Fazenda do José Garcia pai do Jose
de Marcos, ao fundo a fazenda do Isaac Garcia, pai do Dito e Pio
Garcia e também margeando a estrada e na
divisa com o Chiquinho, ficava a Fazendinha do Luís Mingo.
Quando foi
determinado a área em que a Represa de Chavantes ia formar seu lago, as regiões
próximas ao Rio Itararé, onde havia as restingas de mato que seria coberto pela
represa, foram efetuadas as derrubadas e tiradas as madeiras nobres que
existia. Na fazenda do Chiquinho Garcia, tinha uma Canafistula imensa,
coube a mim e ao irmão Luiz derrubar e cortar as toras.
Houve a
necessidade de comprar um gorpião maior, pois, o que tínhamos era pequeno e a
arvore tinha mais de 1,80m de topo, a primeira tora na base.
Luís
Mingo tinha em suas terras uma restinga de uns dois alqueires de mata.
Lembro que tinha alguns pés de jaboticabas e laranjas que eram azedas, teve que
derrubar e limpar, pois iria ser
inundado pelo lago.
Assim sendo,
o Luís Mingo conversou com meu pai Alicio, para que mandasse (seus
piões), filhos do Alicio, que eram (Luís, José Francisco e o Jorge), no
caso eu, pois tínhamos pratica ao derrubar as matas da fazenda
do Chiquinho Garcia, que era na divisa ao lado, digo que é aquela
visão antiga, famílias numerosas, para repor os escravos perdido, pois a
escravidão havia acabado, por isto a quantia numerosa de filhos.
Vou explicar
como se derrubava uma arvore de grande porte: Via o lado que ela estava
tombada, deste lado fazia um corte em diagonal como um triangulo, menos da
metade, do outro lado, acima, cortava com o traçador ou a machado o seu
peso fazia pender e tombar, caindo pelo peso, não havendo necessidade de
cortar até o fim, para derrubar uma área grande tem outras formulas aplicadas.
La foram os
piões do Alicio ajudar o Chico e o Beleco nesta derrubada, com seus machados.
Na pratica, o
que era feito, não eram derrubadas todas as arvores, fazíamos uma repicada na
sua base dos dois lados, deixar no ponto que um pequeno esforço era suficiente
para derruba-las.
Assim foi feito,
picotamos uma área grande, e tinha uma arvore imensa que derrubaríamos sobre as
menores e esta iria derrubando todas as outras, mesma coisa de um
tabuleiro. O Chicão e o Beleco junto com a gente, soltamos
esta arvore maior, sobre as menores, mas não foi suficiente para derrubar todas,
ficando uma arapuca com esta arvore maior, não caindo todas.
Quando foi lá
pelas quatro horas da tarde, chegou o Luís Mingo, viu aquela arapuca,
impôs que os piões do Alicio fossem lá e acabar com a arapuca, era um risco,
pois as arvores podia cair sobre nós provocando um acidente, mas o Luís
Mingo não queria saber de nada, queria que derrubasse aquela arvore que
estava segurando as demais, ficou bravo, falou, o Chicão e
o Beléco só ouvia de longe, seu pai bravo. Queria que os piões do Alicio derrubasse a arvore que
não derrubou as demais
Nenhum pião do
Alicio foi, arapuca lá ficou, após ser queimado ela caiu, tudo ficou normal na
derrubada da restinga da fazenda do Luís Mingo.
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