A última volta pela Barão (anos 80)
Essa crônica se passa entre o meio dos anos 80 ou início dos anos 90, depende da memória afetiva de quem está lendo.
Acordei bem cedo, não sei o horário, pois não tinha relógio, ele estava no conserto. Me arrumei e fui busca-lo. Chegando na relojoaria, o dono estava ausente, mas tinha um papel na frente escrito à caneta “já volto”! Quando olho para cima, sentindo igreja matriz, lá vem o Abel relojoeiro pedalando sua Caloi Barra Forte, e seu filho na garupa. Após um bate-papo, paguei, peguei o relógio e saí.
Vejo que horas são, e pra minha surpresa, ainda cedo, nem 8 horas. Olho pra frente, vejo a dona Geralda e seu Aparecido Bento conversando, na hora pensei vou fazer uma fezinha, o que é hábito entre os brasileiros, mais ainda entre os farturenses.
Subi mais uma quadra, ali vejo o Tomé sapateiro e sua mulher conversando, meio que brigando, e de canto o Fernando Farah só olhando. Andando mais um pouco pela redondeza, eis que encontre o rei das malvadezas (no bom sentido), seu Vardo Fidélis aprontando mais uma para um cliente que bebia em seu bar. Ali eu entro, e vejo a dona Luzia chegando com uma bandeja de salgados, fiquei na dúvida se comia um croquete, pastel ou esfirra. Como não gosto de ficar com dúvidas, pedi um de cada. Ah, até hoje lembro desse gosto, desse cheiro, desse lugar. Adiante falei com o Fuminho e com a Tica, ali já comprei a carne pro almoço. Na frente fui pegar um refrigerante no freezer do Zé Miranda, esse que gritou pra mim “deixa que eu pego”!
Voltando ainda pela Barão, essa que tem mais histórias pra contar que muitas cidades, fui vendo diversas pessoas, saudosas, marcantes e que fazem parte da nessa memória. Entre elas seu Toninho Neves registrando um retrato; dona Verônica vendendo suas delícias; Amelinha com todo seu charme e elegância; tia Quitita e Odete Maluly conversando, ambas sempre sorridentes e receptivas; Pedrinho Quati atendendo seus clientes; ah tanta gente que se foi, mas está aqui na nossa memória; seu Benjamim com toda sua elegância e aquele perfume marcante, estava sorrindo e contando histórias para alguns hóspedes.
Também vi o Aroldo no seu bar, com a rapaziada que gostava de beber umas, entre eles o Gustavo e o Pituka. Vi a dona Amélia e seu Ben, um dos casais mais memoráveis que já presenciei. Também o professor Geraldo e dona Laureana, queridíssimos. Ah, se eu for ficar aqui relembrando não vou parar de escrever esse ano.
Então resolvi sair um pouco da Barão, e fui no bar do Alécio, que ainda era do Alécio nessa época. Lá encontrei meu saudoso amigo Varinha. Sentamos numa mesa para beber e prosear. “Naquela mesa ele sentava sempre e me dizia sempre o que é viver melhor, naquela mesa ele contava histórias, que hoje na memória eu guardo e sei de cor” ...
E ele meu saudoso amigo, me contou tantas histórias que me ajudaram escrever essa crônica. E ainda penso em escrever um livro chamado “Uma Fartura de Histórias”!
(por: Renan Bertoni Soares)
Nenhum comentário:
Postar um comentário