DEPOIMENTO DE UM FUNDADOR
Depoimento feito pelo dr. José Sebastião de Oliveira ao sr. Eduardo Garcia em 1987.
Médico ha quase meio século nesta cidade, reporto-me ao inicio de minha clinica janeiro de 1941. A localidade não éra servida por estradas asfaltadas, possuia uma rede elétrica deficitária, apenas 40 casas dispunham de água encanada distribuida da caixa d´agua do grupo escolar, não tinha hospital, laboratório, raio x especia- listas .
O Brasil estava em guerra. Não se dispunha de auto- moveis a não ser raros carros a gasogênio, o que tornava dificilimo e quase impossivel a remoção de doentes carentes de cirurgias para a cidade mais proxima Piraju.
Para atendimento médico dos meus doentes dispunha de 2 cavalos na cocheira e dava atendimento a pacientes graves na zona rural, casos de parto e desidratação, etc locomovendo-me a cavalo, por veses a léguas de distância.
Esses atendimentos rurais eram feitos a toda região visinha, como o nucleo de Barão de Antonina, Santana do Itararé, Taguai Tejupá ,Timburi e outras
Naquela época, 1941, abateu sobre toda região a maior epidemia de malária já existente.Toda a população foi atingida por esta infermidade, e em 1942 ocorreu a maior geada do século, dizimando todos os cafezais da região
Para fazer frente a epidemia de malária houve por bem o Sr. Prefeito Municipal, João Batista de Oliveira, criar
uma comisão para que se instalasse imediatamente um hospital de emergência nesta cidade.
Obteve a colaboração incondicional do Monsenhor Jose Trombi, vigário desta cidade, assim como de toda popu- lação. Instalou-se nesta cidade o primeiro hospital-o Hospital São Sebastião de Fartura, em maio de 1941 a duração deste hospital foi até o termina da epidemia de malária em 1944.
Ciente desta necessidade urgente de se construir em Fartura um hospital beneficiente, iniciei uma campanha junto a população rural, pedindo tijolos e donativos, pedido este prontamente atendido pela maioria da população, com exceção de uma minoria que sempre se opôs a essa idéia, fazendo mesmo campanha contra tal objetivo (leia abaixo O Manifesto conclamando o povo para ajudar )
Resolvi continuar a obra iniciada pelo Dr. Elieser Magalhães e o Dr. Ariovaldo Carvalho, aproveitando as fundações já existentes no local. Tive grande dificuldade na aprovação, pela saúde pública, da planta deste hospital, pois exigia a mesma que o prédio tivesse um recuo de 5 metros do alinhamento da rua, coisa totalmente impossível, pois as paredes já estavam levantadas no alinhamento da rua.
Sem ajuda governamental conseguiu-se terminar o prédio, e para sua instalação obteve-se uma verba do estado. Teve um papel decisivo na instalação o então prefeito municipal João Gobbo Sobrinho presidente em exercício da Santa Casa
Achei que a inauguração do Hospital não deveria ocorrer sem que se tivesse um cirurgião de reconhecia compe- tência, pois é ele a alma de um hospital e para chefiar o serviço de cirurgia geral, Após longa espera, por inter- médio do Dr. Ariovaldo Carvalho, entrei em contato com um dos melhores cirurgiões do Pronto Socorro do Hospital das Clinicas de São Paulo, Dr. Plácido Ettore Morellato, vindo o mesmo para ésta localidade, tendo feito sua primeira cirurgia no dia 3 de dezembro de 1954, sendo o paciente operado o Sr. José de Góes Vieira (apendicite aguda).
Esta operação foi auxiliada por mim e pelo Dr. Alecio Ravanelli, não existindo uma só enfermeira de plantão. Durante 8 anos a Santa Casa de Fartura trabalhou com auxiliares de enfermagem, ensinadas pelo próprio dr. Plácido. Como não podia continuar deste jeito iniciou-se um movivento junto aos padres Teatinos para que se trouxesse um corpo de enfermagem proveniente da Itália. Em 1962 chegaram em Fartura as primeiras irmãs da Ordem da Divina Vontade.
Cito as irmãs Nives, Virginia, Eurósia e Camila e tantas outras que com dedicação trabalharam para melhoria dos pacientes.
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