quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Por Agostinho de Oliveira 

 Ser agente da história e não fazer parte dela é o maior desprezo que você pode ter de sua terra mãe, família e povo! Eu nasci em Fartura, sp. Vivi em sítio até o 8⁰ ano, já era aí lenhador pra fogão a lenha até imaginava existir algo moderno pra diminuir aquele sofrimento, sem saber do fogão a gás, também levava pesadas marmitas pra roça, por trilhos perigosos onde cobras como cascavel, urutu, e outras era comum, mas aí então, meu pai comprou uma chácara perto da cidade, pois aquele sítio logo deixaria de existir devido a represa, era ai sertão há 12 km da cidade, mata virgem, perobas, caneleira, marfim, pau Brasil, cedro e até cabiuna, está madeira mais cerne que conheço, meu pai até atuou como explorador para tirar madeira de onde seria alagado que foram para serrarias dos Estelas, Este local é na margem esquerda da rodovia que liga ao Paraná, mais ou menos 1 km da ponte, tinha ali uma fazenda do Francisco Garcia, morava em São Paulo tinha uma DKV, amigão de meu pai, que cuidava de sua fazenda, era mista tinha gado e lavouras , mais de 200 alqueires, em frente era fazenda do Conrado Blanco hoje café, naquele tempo era mata virgem dos dois lados, na porta da casa que morei tinha um toco enorme de peróba que eu treinei laçar boi, e serviu de bancada pra endireitar a barra de direção do carro do Sr Heitor , um Shimboard , antigo nos meus 6 anos , o conheci , neste lugar histórico tem um relato de uma ave (papagaio) do meu irmão Jorge, que uma pessoa importante levou embora , de uma maneira não clara, mas prefiro pegar o relato dele, lá também foi quando pela primeira vez o Sr Benedito Garcia, amigo e parceiro de lidas com meu pai, em conversa na nossa sala ascendeu o desejo de se candidatar a prefeito, por conta mesmo do desafio que seria a perda de terras aráveis e as mais férteis de Fartura, onde ele contava muito com minha família na preparação de terra e cultivo. Meu pai era lavrador nato, mateiro, nas ((quissaças) " sem editar o termo esta com ortografia errada "), da mata queimada e terra virgem uma fantástica colheita de feijão, acredito uma das maiores da história de Fartura centenas de saca de feijão e vendeu a bom preço, pode alavancar meus estudos, de quase índio a civilizado, pois mal conhecia cidade, raramente vinha a Santa Missa Tridentina, e no bar de meus padrinhos Irineu de Carvalho e Carmela, também um tio , José Morais, irmão de meu pai na entrada da cidade, mal saia daí. Minha história é longa, mas revelo que aos 6 anos já fui submetido a serviço forçado, como lenhador, em mata virgem, nas cabeceiras da atual ponte Prefeito Benedito Ribeiro Garcia, buscar água em mina morro abaixo 600 metros, pois o poço de 30 metros secou.,furado pelo lendário José Catorze, lembro até hoje do balde de zinco de 10 litros, adeus infância, minha mãe achava que autoridade era imposta pelo medo, carinho nenhum, vara de marmelo, que ao comprar a tal chácara a primeira coisa que plantou foi a marmela, lá morando eu já a sabia achulhar costura, pregar botão, etc...e lá na cidade ela fazia sabão, para vender e eu aos 8 virei mascate pra ela, saia com carrinho de madeira com dezenas de quilos pra andar em ruas apedregulhadas e descalço, puxando aquele enorme peso, e acabava o tal sabão fazia mais e mais ou então, frango caipira, pato, vassouras feitas por meu pai, isto de oito a 10 anos é no 9⁰ ano ela arrendou uma várzea do Collins, e colocou eu e minha irmã de 12 anos pra cultivar , era assunto pra homem forte e com vontade, quase fracassamos , mas era sob violência , exigência de tarefas, etc ...um dia ...estudava cedo no João Batista, segundo ano , prof Julinho Gabriel, percebeu sangue na carteira, e me viu que não estava bem, o coleguinha que sentava comigo, chamou o professor, que olhou os calos de sangue nas mãos, febre , íngua no suvaco, me dispensou da aula e foi ter com minha mãe, pouco adiantou, só que meu pai e irmãos foram ajudar cultivar o arroz. Colhemos muito arroz, daí virei engraxate na porta do bar do Lafaiete , e tinha serviço com lidas no matadouro, ajudava os açougueiros, levava carnes pra casa e serviço de limpar tripas pra fazer linguiça, mas aos 14, meu pai adoeceu, minha mãe tinha pressão alta, e lavoura deu seca ao semear e muita chuva ao colher, passamos anos apertados, tive de sair do ginásio é trabalhar no Big Bar das seis da manhã até fechar, ano inteiro sem folga, completaria 15 anos em Dezembro e comecei logo em janeiro de 1970, lembrando tínhamos o sítio na Barra Seca, e nunca escapei das 32 polegadas (enchadas para café), nunca soube o que era ser criança, nunca desfrutei de círculos com jovens, pois a repressão me tornou um jovem isolado, comprometido com resultados pra minha mãe, tanto é que ganhava 70 cruzeiros no Big Bar e dava tudo pra ela...Minha saga só estava começando, era aluno exemplar, boas notas, disciplinado, tanto é que meu diretor é prof Geraldo Santos Ribeiro , um dia me deu a honra de ser porta bandeira e me fez a primeira ...homenagem.....da minha vida e até hoje com seus noventa e tantos anos lembra de mim, aos 15 e meses virei ajudante do Cumercindo Saraiva, colocando cabos telefônicos em fartura, virei ajudante do Bida Gianette na funilaria e do Betão na mecânica, como sapateiro colhia sapatos das moças que acabavam com tacos dos saltos dando volta no jardim do centro nas noites de sábado e domingo devido aquelas perdas de amolar colocada nas calçadas, mas logo estava no sítio, colheitas de café, manejos das lavouras de milho, feijão, arroz...e aí veio o pior, ....completei 16 anos, em 4 meses uma cascavel matou meu herói Felício Rodrigues de Oliveira , meu pai, este tinha 3300 pés de café dele, café igual de um tio e terras de cultivos de ambos, e ainda arrendava terras do Sr Júlio Del Cistia na serra e vários alqueires perto da balsa no Itararé, meu irmão mais velho era parte disto mas brigamos até porque era muito ruim de serviço tinha família grande, bebia e gostava de orgia, vícios que herdou morando em S. Paulo, depois que saímos do sítio , teve que aventurar por aqui, isto mudou meu irmão, vícios e comportamentos, de um um leão para trabalho, virou descomprometido a labuta e mesmo assim era o primogenito que voltou com primeiro filho e neto de meus pais, isto fez a diferença entre nós , mas eu amava tudo isto , meu irmão , cunhada , sobrinho então ? Meu herói cuidava de tudo sozinho, eu vendo aquilo tomei frente para cuidar das lavouras da nossa parte, meu pai foi pro céu dia 30/04/1971, aniversário de minha mãe, então minha mãe decidiu não colheremos um grão da lavoura que seu pai deixou, nem café , pois lá ele perdeu a vida, mudou tudo na vida dela, de mulher violenta tornou-se empática, amável, carente, medrosa mas de fibra incomum, filha de fazendeiro rico. Experimentou a pobreza com família enorme. 9 filhos, nove histórias, aí tem momentos de alegrias, dores, tristezas, porém muita religiosidade, terços, rezas, fogueiras de santos, Missas, catequeses, procissões, mas o que pegou foi ausência de meu pai.e está história tem dois marcos , primeiro ...minha mãe passou ser ameçada pelo mais velho e por outro que alegaram ter que ajudá-la nós criar, uma mentira pra este lenhador aos 6 de idade, que dê tudo fez aos 16, ...venderam aquela chácara e deixaram minha mãe na rua, eu e mais dois irmãos menores não vimos os direitos de casa e herança constituídos, venderam sem inventário, e lograram minha mãe, mas era fim de abril caminhando prós 17 anos conheci Luiza, dia 26/05/1971...aí minha história teve novos rumos ...relatarei em outro post, e salvarei ambos para homenagear minha professora Lucila do Val ...prof Geraldo, pena que há pouco perdi prof Julinho. e também relatarei minha passagem pela escola e um lugar onde tive um pouco de paz e fui feliz... até breve !

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